O Carrefour estreou nas vendas por meio da internet no Brasil com o objetivo de estar entre as cinco primeiras varejistas do mercado brasileiro de e-commerce até o final de 2011. A previsão é do presidente da companhia francesa no País, Jean-Marc Pueyo, que anunciou hoje investimentos de R$ 50 milhões no desenvolvimento do site.

Este valor está incluído dentro dos aportes globais de R$ 1,25 bilhão previstos para este ano no Brasil pela companhia, que abrangem a abertura de 70 novas lojas.

"Entramos agora no e-commerce porque tínhamos outras prioridades antes no Brasil", afirmou Pueyo, ao ser questionado sobre as razões que levaram o Carrefour ter sido a última das grandes varejistas a estrear na internet. Ele salientou ainda que a expectativa de estar na quinta posição até o final do próximo ano considera os sites da Casas Bahia, Ponto Frio e Extra, que se associaram no final do ano, como apenas uma empresa. Desde o final de 2008, Walmart e Casas Bahia estrearam na internet, enquanto que Ponto Frio, Magazine Luiza e Extra reformularam seus sites.

Segundo levantamento da Serasa Experian Hitwise, divulgado em dezembro do ano passado e compilado com mais de 90 mil internautas, a audiência do e-commerce no Brasil é liderada pela Americanas, seguido pelo Submarino, Magazine Luiza, Casas Bahia, Extra, Shoptime, Ponto Frio, Walmart, Compra Fácil e Amazon.

Sobre a concorrência que a operação online enfrentará, o executivo destacou que a empresa enfrenta situação semelhante no varejo físico. "Há espaço para todos. Este é um canal que cresce acima da média do varejo brasileiro", disse. Pueyo evitou, porém, fazer projeções sobre as perspectivas de vendas e representatividade que o e-commerce pode apresentar no faturamento da companhia no primeiro ano de funcionamento. De acordo com ele, o Carrefour passará a veicular na televisão, nos tabloides distribuídos nas lojas e em redes de relacionamento na internet o endereço eletrônico da empresa.

Segundo o diretor de e-commerce da rede, Jonas Ferreira, o site terá preços diferenciados em relação às operações do varejo físico. "Nossos preços vão levar em consideração a competição entre as lojas online. Nossas condições serão específicas para internet", afirmou. Segundo ele, o desenvolvimento do site levou sete meses, e a plataforma já está preparada para absorver o crescimento de visitações previstas até o final do ano.

Ferreira ressaltou que o site poderá ofertar produtos com a condição de até 24 vezes sem juros, nas opções de compra com o cartão próprio do Carrefour. Com outros plásticos, os clientes terão a opção de parcelar em até 12 vezes sem juros. Ele ressaltou que, mesmo num mercado amadurecido, ainda há oportunidades não exploradas pelos concorrentes na internet. Entre elas, destacou os serviços de manutenção e suporte às vendas, informações sobre os produtos e as categorias, além de um atendimento online.

Junto com o lançamento do site, a empresa também está reforçando a marca com novas campanhas institucionais que destacam o conceito de Grupo Carrefour Brasil, explorando as bandeiras Carrefour, Atacadão e Dia%. Segundo o diretor de marketing da empresa, Rodrigo Lacerda, a ideia é mostrar ao público "o tamanho e a solidez" da operação brasileira da varejista francesa. Questionado se o novo posicionamento da marca no Brasil era uma resposta às especulações sobre a venda de suas unidades, Pueyo foi taxativo ao afirmar que não havia relações e que a campanha estava prevista há alguns meses.

A companhia irá comercializar inicialmente 15 mil itens num total de nove categorias, mas a expectativa é atingir 80 mil itens até o final deste ano. Entre as categorias disponíveis na estreia do site estão eletrônicos, informática, eletrodomésticos, telefonia, eletroportáteis, beleza e saúde, cine e foto, utilidades domésticas e cama, mesa e banho. A intenção da varejista é incluir novas categorias a cada dois meses, mas a venda de alimentos, neste primeiro estágio do site, está descartada.

Segundo a empresa de monitoramento de comércio eletrônico, e-bit, as vendas brutas por meio da internet podem avançar até 30% este ano na comparação com 2009. "O Carrefour deverá atrair novos consumidores, aproveitando a marca reconhecida no mercado", disse Pedro Guasti, diretor do e-bit.

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