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Carne suína contaminada da Irlanda inquieta a Europa

GENEBRA - A pecuária européia enfrenta uma nova crise com a confirmação de que a carne de porco exportada pela Irlanda contem dioxina, substância cancerígena. O caso provoca o maior temor alimentar no Velho Continente desde a crise da vaca louca, que chegou a matar consumidores.

Valor Online |

Na Suíça, as autoridades confirmaram, por sua vez, que 90% dos frangos foram infectados por uma bactéria chamada campylobacters, que causa diarréia nos consumidores, e novas medidas de higiene estão sendo impostas.

O caso da carne de porco da Irlanda é mais grave. A carne foi exportada para 25 países e as autoridades irlandesas obrigaram a retirada do mercado de toda a carne produzida desde 1º de setembro deste ano "apenas por precaução". Isso inclui os chamados subprodutos como bacon, salsichas, pizzas etc.

Amostras recolhidas pelo governo irlandês mostraram um teor de dioxina na carne que ultrapassa em até 200 vezes os limites permitidos. Uma das razões da alta concentração da substância cancerígena na carne pode estar na ração consumida pelos porcos, segundo técnicos.

No total, 47 fazendas irlandesas e 9 na Irlanda do Norte foram identificadas no caso. A dioxina teria entrado inicialmente na cadeia de produção de ração para alimentação animal em setembro deste ano. Isso quer dizer que produtos irlandeses contaminados estçao sendo vendidos já há um bom tempo.

"É uma falha para o eficiente sistema de rastreabilidade européia, sempre vendido ao mundo pelos lobbies agrícolas do bloco. O quadro é realmente grave", afirma Adriano Timossi, especialista brasileiro na área agrícola e que acompanha de perto a situação sanitária na Grã-Bretanha.

Boa parte dos 25 países que importaram a carne suína e subprodutos irlandeses contaminados são da própria União Européia. O Brasil pode, se quiser, decretar embargo à importação da UE de carne suína e subprodutos do Velho Continente, seja qual for o país dentre os 27 estados membros, baseado em questões técnicas ao menos por um certo período até que os fatos se esclareçam.

"Esta seria uma atitude normal, tal como fizeram os europeus com o problema de leite contaminado com melanina da China recentemente", diz Timossi.

O Brasil não pode exportar carne suína para a UE "muito mais por questões políticas que por razões técnicas", estima Timossi. A própria UE possui casos graves de febre porcina na Romênia e Bulgária, além de outras doenças como Língua Azul, Tuberculose Bovina, doença da vaca louca, ainda sob monitoramento, gripe aviária, altamente patogênica.

A Dinamarca, Reino Unido, Alemanha e Irlanda, França disputam com o Brasil o mercado russo, onde estes países perderam fatias de negócio com a chegada do produto brasileiro.

(Assis Moreira | Valor Econômico para Valor Online)

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