Por Andras Gergely e Kate Kelland DUBLIN/LONDRES (Reuters) - Carne suína irlandesa contaminada com dioxinas tóxicas pode ter sido exportada para cerca de 25 países, afirmou o chefe do departamento de saúde animal do país, neste domingo.

O governo irlandês ordenou o recolhimento de todos os produtos suínos de lojas, restaurantes e fábricas de processamento de alimento no país por conta da contaminação com dioxina, que em algumas formas e concentrações, e com longa exposição, pode causar câncer e outros problemas de saúde.

A vizinha Grã-Bretanha, maior mercado de exportação, alertou aos consumidores a não comer produtos suínos irlandeses depois que os testes revelaram contaminação.

"Acreditamos que esteja na ordem de 20 a 25 países. Certamente menos que 30", afirmou o chefe do departamento veterinário, Paddy Rogan, em conferência de imprensa, falando sobre quantos países podem ter sido afetados.

Autoridades afirmaram que 10 fazendas na Irlanda e outras 9 na província britânica da Irlanda do Norte usaram ração de porco contaminada que fez Dublin anunciar o recolhimento dos produtos no sábado.

A Autoridade de Padrões Alimentícios britânica, um órgão do governo encarregado de proteger a saúde e os interesses públicos, afirmou que está investigando se qualquer produto suíno foi distribuído no Reino Unido -- um grande importador da carne suína irlandesa.

"A Autoridade de Padrões Alimentícios está aconselhando hoje os consumidores a não comerem carne de porco ou produtos suínos, como bacon, salame e presunto, que tenham indicação de serem provenientes da Irlanda ou da Irlanda do Norte", afirmou o órgão em comunicado.

O grupo de supermercados britânico Asda, controlado pelo gigante norte-americano Wal-Mart, informou que está retirando todos os produtos suínos irlandeses das prateleiras.

BAIXOS RISCOS, CONSUMIDORES PREOCUPADOS

O governo irlandês afirmou no sábado que os testes de laboratório com amostras de ração animal e gordura suína confirmaram a presença das dioxinas, com toxinas em quantidade de 80 a 200 vezes maiores que os limites saudáveis. Evidências preliminares indicaram que o problema provavelmente começou em setembro deste ano, acrescentou.

A Irlanda exportou 368 milhões de euros (467 milhões de dólares) em carne suína em 2007, metade disso para a Grã-Bretanha, mas a APA disse que "não acredita existir risco significativo aos consumidores britânicos."

A Associação Irlandesa de Processadores de Carne Suína afirmou que a ração contaminada veio de um fornecedor e que a fonte foi isolada. A entidade afirmou que a indústria suína irlandesa movimenta cerca de 500 milhões de euros por ano.

Especialistas também afirmaram que o riscos aos consumidores é pequeno.

"Esses compostos precisam de muito tempo para acumular no corpo, assim um período de tempo relativamente curto de exposição teria um impacto pequeno no corpo", afirmou o professor Alan Boobis, toxicologista no Imperial College London.

"Alguém precisaria ser exposto a altos níveis por um longo período de tempo antes de existir um risco para a saúde."

A Comissão Européia afirmou que a Irlanda agiu bem e rapidamente no recolhimento dos produtos suínos locais.

Mas as pessoas em Dublin estão preocupadas. Teresa Moran, 57, dona de casa e mãe de cinco filhos, disse: "Tenho duas peças de porco no freezer e tenho medo de colocar minha vida em risco ao tocá-los. Não sei o que vamos fazer a respeito do presunto de Natal. Vamos esperar e ver."

O ministro alimentício da Irlanda, Trevor Sargent, afirmou que o problema pode ter origem com os subprodutos de cozimento que são secos para serem usados como ração animal. O combustível usado no processo de secagem deveria ter sido um óleo com graduação alimentícia.

"Temos nossas suspeitas desta vez de que o óleo usado não tinha grau alimentício e assim possa ter causado a contaminação que causou essa crise na indústria, mas que afetou uma quantidade pequena de carne."

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