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Carne cara leva União Européia a retomar importações de São Paulo e Paraná

GENEBRA - A União Européia (UE) decidiu retomar a importação de carne bovina in natura de São Paulo e Paraná, num momento em que os 27 países comunitários enfrentam alta de preços do produto, por causa da ausência de Brasil e Argentina do mercado. O comitê autorizou também a retomada da compra de carne de partes das províncias de Neuquen e Rio Negro, na Argentina. Deu ainda sinal verde para a carne do Paraguai.

Valor Online |

A decisão de incluir os dois Estados brasileiros na lista autorizada para exportar à UE foi aprovada ontem pelo Comitê Permanente para Cadeia Alimentar e Saúde Animal do bloco, e basta agora a aprovação formal da Comissão Européia. A decisão deve ser publicada oficialmente este mês, segundo o Ministério da Agricultura.

O diretor de Saúde Animal da UE, Bernard Van Goethem, disse ao Valor que a decisão vem no rastro do reconhecimento pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) dos dois Estados como áreas livres de aftosa com vacinação, em maio. Além de São Paulo e Paraná, também recuperaram o status: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe, Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. Todos estavam com status suspensos desde outubro de 2005, após casos de aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná.

A situação do Mato Grosso do Sul, que também perdeu o status, será reavaliada este mês pela OIE. Depois que o Estado recuperar a condição de livre de aftosa com vacinação, o Brasil vai pleitear à UE que também volte a habilitá-lo para exportação de carne bovina, disse o secretário de defesa agropecuária do ministério, Inácio Kroetz.

Com a decisão, a base de propriedades em áreas habilitadas a exportar para o bloco aumenta, disse o secretário. A partir de agora, fazendas paulistas e paranaenses também poderão ser incluídas na lista de propriedades habilitadas a fornecer bovinos para abate e exportação à UE. Questionado se isso pode levar a uma retomada dos volumes de carne in natura exportados pelo Brasil ao mercado europeu, Kroetz limitou-se a dizer que os critérios de avaliação - para inclusão na lista que hoje tem cerca de 100 fazendas - continuam os mesmos. Mas disse que crescem as chances de vendas do Brasil para outros mercados, já que vários países têm a UE como referência em questões de sanidade.

Van Goethem parece não crer que o Brasil conseguirá retomar até o fim do ano o volume de 140 mil toneladas de carne in natura em exportações para a UE. Ele observou que a lista das fazendas autorizadas tem menos de 100 propriedades e que preços altos do boi no Brasil parecem desestimular os pecuaristas a vender o gado rastreado para exportação.

Para o secretário de agricultura de São Paulo, João Sampaio, o desafio agora é o trabalho de auditagem e certificação das propriedades, incluídas na base de dados do sistema de rastreabilidade (Sisbov). A Defesa Agropecuária de São Paulo está pronta para trabalho conjunto com os técnicos do Ministério para fazer as auditagens, de acordo com a demanda do setor produtivo , disse em nota.

O Comitê Científico destacou que Brasil, Argentina e Paraguai fizeram esforços consideráveis para melhorar a situação da saúde animal em seus países, sobretudo em relação à febre aftosa.

Jorge Humberto Oshiai, diretor para o comércio da América Latina junto à UE do escritório de advogados europeus O´Connor and Company, reiterou a necessidade do setor produtivo dos dois Estados atenderem às exigências da UE para que novas fazendas sejam adicionadas à lista, pois só assim obterão ganhos com o fim da restrição. Ele lembrou que grande parte dos animais abatidos em São Paulo até 2005 era oriunda do Mato Grosso do Sul e me parece óbvio a necessidade de buscar com urgência o levantamento da suspensão das exportações de carne in natura do MS também .

(Assis Moreira e Alda do Amaral Rocha | Valor Econômico)

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