A abertura de capital da OSX, empresa de serviços para a indústria de petróleo do grupo do empresário Eike Batista, pode ter uma captação inferior às previsões iniciais. Ontem, um dia antes da definição do preço da oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), a procura do mercado pelos papéis estava fraca, segundo apurou a Agência Estado.

Até ontem, a companhia teria demanda para apenas metade da oferta, e os investidores estavam pressionando por uma redução na faixa indicativa de preço por ação - que varia entre R$ 1.000,00 e R$ 1.333,33.

No mercado, existe a expectativa de que o valor seja reduzido para a casa de R$ 800,00 por ação, o que levaria a OSX a captar, no máximo, R$ 5,9 bilhões, bem abaixo da expectativa inicial, que era de até R$ 9,9 bilhões. A empresa pretende emitir 5.511.739 de ações, sem considerar o exercício dos lotes suplementar e adicional, que pode elevar a quantidade de papéis em 35%. O Credit Suisse é o coordenador líder da operação, ao lado de Itaú BBA, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley.

Preço alto. Na avaliação de uma fonte que acompanha a operação, o preço elevado é o principal problema da OSX. "Os projetos da empresa são promissores, mas envolvem riscos consideráveis", diz a fonte. Assim como as demais companhias de Eike, a OSX ainda está em fase pré-operacional e só começará a gerar caixa no longo prazo.

Um possível fracasso na abertura de capital da empresa pode ainda atrapalhar os planos da OGX Petróleo, outra empresa do grupo, que precisa cumprir o requisito mínimo estabelecido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) de aproximadamente 70% de contratação de equipamentos de fornecedores nacionais. Essa meta pode se tornar inviável sem a OSX, que já nasceu com uma demanda contratada de US$ 30 bilhões estimada pela OGX e poderia, no futuro, ganhar contratos da Petrobrás durante o processo de exploração do petróleo na camada do pré-sal.

A OSX já tem 10% de seu capital vendido para a coreana Hyundai Heavy Industries. A operação de venda foi anunciada no início de fevereiro, mas o valor do acordo não havia sido anunciado. O negócio seguiu o padrão observado na retomada da indústria naval brasileira, segundo o qual grupos nacionais preferem atuar em conjunto com gigantes internacionais.

Assim, já aportaram no Brasil os estaleiros Keppel Fels e Jurong, de Cingapura, e Daewoo e Samsung, da Coreia do Sul, entre outros. O objetivo desses acordos é aproveitar o conhecimento tecnológico das multinacionais em busca de maior competitividade.

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