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Capital estrangeiro pode ser ameaça a países emergentes

Investimentos estrangeiros maciços, o elevado grau de débito de curto prazo em moeda estrangeira e a forte presença de bancos multinacionais no mercado interno são três ameaças potenciais à estabilidade econômica dos países emergentes, como o Brasil. O alerta foi divulgado ontem, em Londres, pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), o banco central dos bancos centrais.

Agência Estado |

Com o nome de Fluxos de Capital e Economias de Mercado Emergentes, o relatório do Comitê do Sistema Financeiro Global (CGFS), de autoria do presidente do Banco Central da Índia, Rakesh Mohan, indica que os investimentos estrangeiros, até aqui celebrados por países como o Brasil, também podem representar riscos em caso de quebra abrupta em seu ritmo de injeção de recursos.

Em 2007, o fluxo de capitais para os mercados em desenvolvimento alcançou US$ 1,86 trilhão - seis vezes mais do que antes da crise asiática, entre 1997 e 1998.

O tema interessa ao Brasil, já que o País recebeu no ano passado o maior volume de investimentos desde 1947. Em 2008, o setor produtivo contou com US$ 45,06 bilhões, superando o volume - também recorde - de 2007, de US$ 34,5 bilhões. De acordo com o Banco Central (BC), a perspectiva para o ano é de US$ 30 bilhões em novos recursos externos.

Mohan lembra que na América Latina os investimentos estrangeiros cresceram entre 1980 e 1992 em razão do elevado número de privatizações - cerca de 1,6 mil - de empresas na Argentina, no Brasil, no Chile, no México e na Venezuela. Esses recursos se multiplicaram a partir dos anos 90 com as reformas estruturais, que levaram, no Brasil, à privatização do sistema Telebrás, por exemplo.

"Ainda que a estrutura dos fluxos tenha se tornado mais estável, o fluxos de capital continuam a ser muito voláteis e esta circunstância tem grande implicação macroeconômica em países que recebem recursos", diz o relatório. "Entre 2006 e 2007, o rápido crescimento dos investimentos estrangeiros privados em economias emergentes - em torno de US$ 1 trilhão por ano, comparado ao pico anterior, de US$ 300 bilhões em 1996 - causou tensões consideráveis em alguns países."
A autoridade monetária indiana lembrou ainda que o ano de 2008 provocou grandes fugas de capitais de investidores.

"Este relatório foi elaborado em razão das preocupações sobre o excesso de fluxo de capital privado para economias de mercado emergentes", explicou Mohan em entrevista coletiva, realizada ontem em Londres. "A crise bancária internacional detonou nos últimos meses uma brutal reversão dos pesados fluxos registrados até então", frisou, baseado em 18 meses de estudo, que englobaram os últimos 20 anos.

Para Mohan, há claras semelhanças entre a atual conjuntura econômica de países emergentes da Europa Oriental e os mercados do leste asiático em 1997 e 1998. "Muitas crises demonstram que a dependência em relação aos fluxos de capital de curto prazo em moeda estrangeira pode aumentar a vulnerabilidade de um país". Mohan cita o exemplo de bancos e corporações na Rússia e no Casaquistão, que estariam em dificuldades para refinanciar seus riscos em 2009. Segundo o relatório, as economias emergentes enfrentam menos riscos quando têm mercados locais bem desenvolvidos e baseados em empresas sólidas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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