RIO - As capitais estaduais respondiam, em 2006, por 34,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A fatia das capitais foi ligeiramente maior que em 2005, quando atingiu 34,5% do total do PIB do país, mas apresentou resultado inferior aos 36,1% observados no início da série, em 2002.

Os dados constam do Produto Interno Bruto dos Municípios, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Do total de 2006, as quatro capitais do Sudeste representavam 19,2% do PIB brasileiro. São Paulo respondeu por 11,9%, contra 5,4% do Rio de Janeiro, 1,4% de Belo Horizonte e 0,5% de Vitória.

Apesar de ter a maior participação, São Paulo reduziu sua fatia no PIB brasileiro, que era de 12,2% em 2005. O mesmo aconteceu com o Rio de Janeiro, que respondia por 5,5% do PIB do país em 2005.

As cinco capitais com menor participação no PIB do país, com 0,1% cada uma, estavam na Região Norte. Apenas Manaus, com 1,3% do total e Belém, com 0,5%, estavam entre as 15 maiores do país em termos de geração de riqueza. A capital amazonense figurava, em 2006, na sexta posição, enquanto Belém estava em 13º.

Apesar de ficarem com a lanterna quando o foco é a participação das capitais no PIB nacional, os estados do Norte do país apresentam, em média, a maior dependência da geração de riqueza de suas capitais. Excluindo-se Brasília, responsável por 100% do PIB do Distrito Federal, Manaus fica na ponta do ranking, com fatia de 81,5% do total do PIB amazonense em 2006.

A seguir vêm Boa Vista, com 71% do PIB de Roraima; Macapá, com 64% da geração de riqueza no Amapá; e Rio Branco, responsável por 54% do PIB do Acre. A primeira cidade de fora do Norte no ranking é Fortaleza, com 48,7% do total das riquezas produzidas no estado.

A coordenadora da pesquisa, Sheila Zani, destacou a perda de participação relativa de municípios como Rio de Janeiro e São Paulo tanto na fatia do PIB nacional, quanto na participação dos PIBs estaduais. Enquanto São Paulo tinha 36% do PIB estadual em 2005 e reduziu essa fatia para 35,2% em 2006, a capital fluminense passou, no mesmo período, de 47,7% para 46,5%.

"As capitais perdem peso porque outras cidades ganham importância. No caso de São Paulo, municípios como Barueri, que ficam próximos da capital, ganharam importância principalmente em serviços de alta tecnologia. No Rio, é claro o aumento da importância do Norte Fluminense, principalmente de Campos dos Goytacazes", explicou Sheila.

Campos teve o maior ganho de participação no PIB brasileiro entre 2005 e 2006. A cidade do Norte Fluminense, puxada pelos bons resultados do setor de petróleo, ganhou 0,20 ponto percentual de participação no PIB do país, passando de 0,78% em 2005 para 0,98% em 2006. No período, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de petróleo e gás natural em Campos subiu 8%, enquanto o preço do barril do petróleo subiu 21%, de uma média de US$ 54,62 em 2005 para US$ 66,02 em 2006.

Barueri, na grande São Paulo, cresceu de 1,01% para 1,08% no mesmo período, estimulada pelo aumento da concentração de empresas de serviços de informação e pelo aumento da atividade comercial.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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