A indústria brasileira de transformação planeja uma expansão de 14,6% na capacidade de produção este ano, segundo sondagem divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A previsão, média das estimativas de 723 empresas ouvidas em janeiro e fevereiro, é a maior da série ajustada da pesquisa, iniciada em 2002.

A pesquisa confirma a retomada da confiança dos industriais, após o tombo na produção e nos investimentos provocado pela crise econômica mundial. No ano passado, a estimativa foi de 11,9% e em 2008, de 13,6%. No levantamento para 2010-2012, a expansão projetada é de 23,8%, indicando que pretendem realizar já neste ano mais de 60% dos investimentos.

Para o superintendente de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo, um dos motivos da concentração neste ano é que o uso da capacidade instalada chegou a 84%, perto do nível pré-crise, após a queda de até 77% em 2009. Outro fator destacado pelo analista é que, pela primeira vez em cinco anos, a avaliação da taxa de juros como influência positiva (31%) nas decisões de investimento foi maior que a negativa (29%). Para 40% das empresas, o efeito é neutro. Ao falar sobre 2009, 32% indicaram o juro como dificultador do investimento e 26%, como favorável.

Segundo Campelo, o dado não esconde a expectativa de alta na taxa Selic, mas acompanha a melhoria da avaliação dos industriais das condições de financiamento, positivas para 42%. Em relação a 2009, o quesito foi favorável apenas para 35%. "Há um equilíbrio em relação à influência do juro. O industrial não está falando da Selic, mas avaliando em termos comparativos."
Para Campelo, os dados indicam que os empresários querem aproveitar logo as facilidades de crédito, como o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES, que prorrogou até junho os juros menores para compra de máquinas.

Otimismo. Por isso, o setor de bens de capital é um dos que apresentam a maior recuperação nos planos de expansão da indústria. Saltou de 9,9% em 2009 para 15,4% neste ano. O otimismo pode ser visto no segmento de mecânica, voltado principalmente à indústria de máquinas, que projeta média de aumento de 15,9% na produção.

A mecânica também perpassa a indústria de eletroeletrônicos, como os eletrodomésticos de linha branca, impulsionados pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no ano passado. A previsão de expansão das linhas do segmento de material elétrico e comunicação, que também contempla os equipamentos eletroeletrônicos, é de 16,6%. No ano passado, havia sido de 12,1%, depois de ter se aproximado de 14% em 2008.

Já entre os setores com estimativas mais modestas para 2010 destacam-se papel e celulose (9,3%), minerais não metálicos (10,5%) e têxteis (11,3%). O estudo mostra que o principal motivador dos investimentos em 2010 é a demanda interna, avaliada como positiva por 80% dos entrevistados, mesmo índice de 2007. Em 2009, só foi bem avaliada por 64%.

Um dos que mais se beneficiaram dos incentivos fiscais em 2009, o setor de veículos também mostra boas perspectivas de investimentos para 2010. O segmento de material de transporte, que abrange toda a cadeia automobilística, atingiu a projeção mais alta desde 2006 para o ciclo de três anos. A previsão é de expansão de 25% até 2012. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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