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Canadá anuncia plano de resgate para evitar colapso de montadoras

Julio César Rivas. Toronto (Canadá), 20 dez (EFE) - As autoridades do Canadá informaram hoje que concederão quatro bilhões de dólares canadenses (US$ 3,24 bilhões) às montadoras dos Estados Unidos para que mantenham suas operações no país, diante do temor de que fecharão suas fábricas de produção. O valor, que será fornecido pelo Governo federal (2,7 bilhões de dólares canadenses) e pelo da província de Ontário (1,3 bilhão), corresponde a um quinto dos empréstimos que os Estados Unidos concederam na sexta-feira à General Motors (GM) e à Chrysler para evitar seu colapso. O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, anunciou a ajuda às montadoras durante uma entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro de Ontário, Dalton McGuinty, na cidade de Toronto. Esta é uma medida lamentável, mas necessária, para proteger a economia canadense. Os contribuintes canadenses agora esperam que o dinheiro seja utilizado para reestruturar e renovar o setor automotivo neste país e garantir que o Canadá mantenha a cota atual de produção do mercado americano, disse Harper.

EFE |

Cerca de 20% da produção das chamadas "Três Grandes de Detroit" (GM, Chrysler e Ford) é feita no Canadá, e Ottawa quer manter no futuro este número.

Além disso, o setor automotivo representa 14% da produção industrial do país e 23% das exportações manufatureiras canadenses, e emprega diretamente 150 mil pessoas.

Um estudo recente do Governo de Ontário destacou que a economia canadense corre o risco de perder até 582 mil postos de trabalho se a General Motors, a Ford e a Chrysler interromperem suas atividades no país.

Como nos Estados Unidos, a situação da economia canadense forçou o Executivo conservador de Harper a conceder, de má vontade, bilhões em ajuda às fabricantes de automóveis.

Em 14 de outubro, Harper venceu eleições gerais nas quais assegurou várias vezes que a economia canadense se encontrava em perfeito estado, e se comprometeu a manter o superávit fiscal.

Desde sua vitória nas urnas, a mensagem de Harper gradualmente ficou mais pessimista até o ponto em que foi forçado a admitir que o país se encontra em uma recessão que poderia se tornar uma depressão.

O Governo canadense também teve que fazer alterações nas previsões sobre o superávit fiscal e agora está previsto que o país sofra um déficit de cerca de 30 bilhões de dólares canadenses (US$ 24,3 bilhões).

O Canadá é o único membro do Grupo dos Sete (G7, que reúne as nações mais ricas do mundo) que tinha mantido superávits fiscais de forma ininterrupta durante os últimos 12 anos.

Sem os quatro bilhões de dólares canadenses de empréstimos anunciados hoje, era quase certo que as Três Grandes de Detroit reduziriam ao mínimo, ou inclusive parariam, sua produção no Canadá, o que causaria a demissão de centenas de milhares de trabalhadores e aprofundaria a crise econômica do país.

Neste sentido, o primeiro-ministro de Ontário disse hoje que as autoridades não estão dispostas a que isto ocorra.

"O que o primeiro-ministro e eu estamos dizendo é que vale a pena lutar por essa gente e por seus trabalhos" disse McGuinty.

Como nos Estados Unidos, a ajuda tem condições. Os dois Governos (o federal e o provincial) verificarão como o dinheiro será gasto.

Harper e McGuinty também disseram que esperam que "todos os interessados no setor automotivo façam de tudo para reduzir os custos estruturais e assegurar uma indústria automotiva viável no Canadá".

Este último ponto é uma clara alusão a que o sindicato canadense do automóvel, Canadian Auto Workers (CAW), faça concessões trabalhistas para aumentar a competitividade das fábricas do país.

O Governo canadense também anunciou ajudas para as fabricantes de autopeças utilizadas pelas Três Grandes e para que os consumidores tenham acesso a empréstimos com os quais comprar veículos. EFE jcr/db

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