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Cana deixada em pé reflete crise no setor, avalia Conab

Brasília, 15 - O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi, afirmou hoje que a crise financeira internacional reduziu a demanda por açúcar e álcool e influenciou na decisão da iniciativa privada de deixar de colher 315,9 mil hectares de cana-de-açúcar na safra atual. Ele disse que as chuvas verificadas nos meses de abril e maio no Centro-Sul também determinaram esse quadro.

Agência Estado |

O diretor de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Alexandre Strapasson, informou que o volume de cana que não foi cortado vai acabar favorecendo o mercado de açúcar e álcool no ano que vem. "As unidades vão antecipar o esmagamento", comentou ele, ao lembrar que a entressafra da cana termina em abril.

Strapasson afirmou que o governo esperava volume maior de cana "bisada", que é um termo técnico para o canavial que não é cortado no ano-safra em que deveria ser tido colhido. De acordo com ele, o volume ficou abaixo do previsto pelo governo porque muitas usinas continuaram esmagando a safra além do período normal. Ele observou que muitas usinas do Centro-Sul ainda estão esmagando a cana, quando o normal seria a paralisação das atividades nesta época do ano.

O presidente da Conab ressaltou que a crise internacional, que resultou na falta de crédito, prejudicou o ritmo de instalação de novos projetos de usinas sucroalcooleiras. A falta de recursos também deve comprometer a adubação dos canaviais, o que pode reduzir a produtividade da cana no ano que vem. "A euforia não é bom conselheiro para os negócios. É preciso fazer negócios com segurança", afirmou Rossi.

O presidente da Conab acrescentou que, antes da crise, havia disponibilidade de dinheiro no mercado internacional, o que facilitava a construção de novas usinas. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, existem 417 usinas instaladas no Brasil, das quais 30 foram inauguradas este ano. O número de inaugurações é similar ao do ano passado.

Strapasson informou que existe potencial para exportação de etanol, mas que muitos mercados ainda não foram efetivamente abertos. O diretor comentou também sobre o abastecimento de álcool na entressafra na Região Centro-Sul, que vai de janeiro a março. Nesse período, ele acredita que haverá pequena elevação dos preços do álcool. "Há um custo para carregar estoques e a iniciativa privada vai repassá-lo aos preços". Ele não falou sobre níveis de preço, mas lembrou que a variação está diretamente relacionada ao preço da gasolina.

Estoque

O diretor do Ministério da Agricultura disse que a expectativa é de estoque ajustado à demanda no início de 2009. Hoje o estoque soma cerca de 5,2 bilhões de litros de álcool e a variação até o período de entressafra dependerá da relação de preço entre álcool e gasolina.

Strapasson observou que este ano o mercado foi de preço baixo para o consumidor, o que favorece a população, mas impede novos investimentos. Ele salientou que o cenário é positivo para o mercado de açúcar, já que as projeções indicam crescimento da demanda mundial. Ele disse que as projeções indicam déficit de 3 milhões a 7 milhões de toneladas de açúcar no mercado internacional. Parte desse déficit é justificada pela queda na produção da Índia.

O Brasil é responsável, segundo Strapasson, por cerca de 40% do mercado mundial de açúcar. Apesar da aposta no mercado externo, ele disse que no caso do álcool o grande potencial de venda está no mercado doméstico, onde a demanda por carros flex (bicombustível) é cada vez maior.

Sobre o mecanismo de apoio à produção de açúcar e álcool do Nordeste, prevista na Medida Provisória 449, Strapasson comentou que a expectativa é que o modelo de apoio seja definido e aprovado nas próximas semanas.

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