Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Campo começa greve e volta a ameaçar estabilidade na Argentina

Natalia Kidd. Buenos Aires, 3 out (EFE).- As patronais rurais da Argentina iniciam hoje uma nova greve comercial reivindicando, junto ao Governo, soluções para o setor, embora desta vez as circunstâncias sejam muito diferentes das que marcaram os protestos de meses atrás.

EFE |

A quinta greve que os produtores agrários realizam no ano teve início na manhã de hoje e terminará à meia-noite da próxima quarta-feira, segundo a convocação das quatro maiores organizações rurais do país, que representam cerca de 290 mil produtores.

Nestes seis dias, os ruralistas não enviarão gado bovino aos mercados e grãos às indústrias e aos portos de exportação, em uma tentativa de pressionar o Governo em uma de suas principais fontes de arrecadação tributária, a venda de matérias-primas ao exterior.

A greve representa o retorno aos protestos agropecuários após uma trégua no conflito conseguida em julho, depois que o Parlamento, com o voto decisivo do vice-presidente argentino, Julio Cobos, rejeitou o esquema de impostos móveis às exportações de grãos que gerou o confronto com o Governo em março.

Apesar de os impostos terem voltado a ser aplicados sob uma taxa fixa desde então, os produtores asseguram que sua situação é pior do que a que viviam em março pelo aumento de custos, a diminuição dos preços internacionais dos grãos e uma seca que muitos consideram a mais severa do último século.

O Governo se mostrou "surpreendido" com a nova greve do campo, que vê com forte conteúdo político, e o ministro da Justiça, Aníbal Fernández, considerou hoje que a medida "não beneficia ninguém" e que os dirigentes rurais deveriam ter uma atitude de diálogo.

A presidente Cristina Fernández de Kirchner reiterou hoje que na Argentina "nenhum setor pode prevalecer sobre os demais, impor condições ou tomar o resto da sociedade como refém".

O presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, lembrou que as patronais participaram de duas reuniões com o secretário de Agricultura, Carlos Cheppi, e nada foi resolvido.

O protesto teve início com uma centena de concentrações de produtores rurais em diferentes pontos do país e, embora as entidades tenham pedido às bases que não bloqueassem estradas como em greves anteriores, não se descarta essa possibilidade.

O campo chega a este novo protesto em um contexto econômico, político e social muito diferente do que levou aos conflitos entre março e julho, período mais agitado do confronto.

Uma das diferenças substanciais está no apoio social ao protesto rural, em massa na primeira metade do ano, e que agora é de apenas 30%, segundo pesquisas privadas.

Também no plano político, os dirigentes rurais contam com apoios menos explícitos de figuras da oposição que outrora tinham respaldado o campo e que agora vêem com certo receio a escalada dos líderes agropecuários no cenário nacional.

O Governo saiu castigado da primeira etapa do conflito, com o voto negativo de Cobos, a renúncia do então chefe de Gabinete, Alberto Fernández, e uma queda da imagem positiva da presidente para o nível mínimo de 20%.

Desde julho, a popularidade de Cristina recuperou oito pontos, embora ainda esteja muito abaixo dos 56% do início de sua gestão, em dezembro do ano passo.

As circunstâncias econômicas também mudaram substancialmente, com uma crise financeira global cujo desfecho segue em aberto, inclusive para a Argentina, um dos principais exportadores mundiais de alimentos a mercados onde o consumo tende a desacelerar.

Enquanto no auge do conflito agrário os preços dos grãos estavam em níveis recorde, agora os valores caem, com uma depreciação de 40% desde julho para a soja, produto de grande importância no mercado argentino.

Pela época do ciclo de produção, o setor também tem menor poder de pressão, já que a maior parte da colheita está praticamente liquidada, o que pode gerar dificuldades se o protesto se estender além do anunciado.

No mercado de gado Liniers, o principal da Argentina, a greve comercial não gerou conseqüências, já que cerca de 9.200 cabeças de gado bovino ingressaram hoje, em números que estão de acordo com a média das sextas-feiras. EFE nk/ab/rr

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG