Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar pôs fim nesta quarta-feira à sequência de seis baixas, com os investidores aproveitando o cenário externo negativo para realizar ajustes de posições.

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar pôs fim nesta quarta-feira à sequência de seis baixas, com os investidores aproveitando o cenário externo negativo para realizar ajustes de posições.

A moeda norte-americana subiu 1,31 por cento, para 1,778 real. Nas últimas seis sessões, o dólar acumulava 4,1 por cento de queda, influenciado pela perspectiva de entrada de recursos e pelo interesse maior de estrangeiros no país.

Nesta quarta, porém, pesou mais o ambiente de aversão a risco no exterior. As bolsas norte-americanas caíam cerca de 1 por cento, as commodities perdiam 0,3 por cento e o risco Brasil subia quase 10 pontos.

Entre os motivos para a cautela no mercado internacional --que vinha registrando máximas em vários meses nas ações--, estava a preocupação com a Grécia, que voltou mesmo com a definição de um pacote de ajuda pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A diferença entre os juros pagos pela Grécia e pela Alemanha para captar dinheiro no mercado atingiu recorde desde a criação do euro depois que o ministro das Finanças do país, George Papaconstantinou, revelou que os bancos gregos pediram ao governo por mais suporte financeiro.

"O dólar está tendo uma pequena correção dessa queda muito rápida (dos últimos dias)", disse Arnaldo Puccinelli, gerente de mercados financeiros da corretora Terra Futuros.

Durante o declínio das últimas sessões, os estrangeiros vinham vendendo dólares com intensidade no mercado futuro. No final de terça-feira, eles exibiam 2,365 bilhões de dólares em posições vendidas na moeda norte-americana nos mercados de dólar futuro e cupom cambial. No fim de março, eles tinham posição comprada de 1,216 bilhão de dólares.

A perspectiva, porém, ainda é de que a entrada de dólares no país vai continuar firme no curto prazo. No forno estão emissões de dívida --como os bônus do Itaú Unibanco, estimados em 1 bilhão de dólares-- e ofertas de ações --como a venda de até cerca de 2 bilhões de reais em papéis da produtora de carnes JBS.

Em março, o Brasil já teve o mês com maior entrada líquida de dólares desde novembro, com 2,114 bilhões de dólares. No ano, o país tem fluxo positivo de 2,792 bilhões de dólares.

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