SÃO PAULO - A forte desvalorização do real ante o dólar garantiu a alta de 0,2% registrada em outubro no nível de atividade da indústria paulista, quando comparado ao mês anterior. Não fosse o movimento cambial, o indicador provavelmente viria negativo, segundo cálculos do diretor do Departamento de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini.

O efeito do câmbio sobre as receitas com exportações permitiu uma alta mensal de 4,7% nas vendas reais da indústria, um dos principais itens que compõe o índice de atividade.

Entre setembro e outubro, o dólar avançou cerca de 20% sobre o real. Diante disso, as receitas dos industriais paulistas com exportações cresceram 15%, no mesmo intervalo em que as vendas internas saltaram apenas 2,8%.

De acordo com Francini, o setor automotivo foi o principal responsável por este movimento, dada a sua relevância no setor industrial de São Paulo. Em outubro as receitas com exportações avançaram 35%, enquanto que as relativas às vendas internas recuaram 2%.

Apesar do crescimento observado em outubro, a entidade admite a tendência de retração do nível de atividade nos próximos meses. Para o fechamento de novembro, por exemplo, o Sensor Fiesp (indicador de previsões dos industriais paulistas) projeta queda em relação a outubro. "Tudo indica que teremos um decréscimo na atividade econômica", afirmou o Francini. 

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