São Paulo, 25 - A valorização dos produtos agrícolas em dólar está compensando a menor exportação por parte do Paraná em outubro. Para este ano, estamos salvos, disse o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, em nota da agência de notícias do governo local.

Na avaliação do secretário, o quadro de exportação permanece positivo para a soja e carnes de aves. Para o milho, houve uma frustração nas expectativas de exportações, motivada pelo bom desempenho da produção mundial.

Em outubro, o Paraná exportou um volume de soja 78,3% menor que o embarcado no mesmo mês de 2007. Em outubro de 2007, foram embarcadas 394.483 toneladas e, em outubro deste ano, 85.760 toneladas do grão. Na avaliação de Bianchini, o quadro reflete o final da safra de soja no Estado, com 93% da safra já vendida. As exportações até agora correspondem a 36% da safra 2007/08, avaliada em 11,71 milhões de toneladas. No acumulado do ano, o volume de soja exportado pelo Paraná está 20,7% acima do mesmo período do ano passado. Entre janeiro a outubro de 2008, o Estado exportou 4,25 milhões de toneladas de soja.

No mesmo período, a receita obtida com as exportações paranaenses de soja foi 57,6% maior. "O levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) constatou a queda nas cotações internacionais da soja no mês de outubro, mas ainda assim permanecem elevadas. O preço médio recebido pelas exportações de soja, que era de US$ 319,81 a tonelada em outubro de 2007, aumentou para US$ 504,11 a tonelada em outubro deste ano", informa a agência de notícias paranaense.

Carnes

As exportações de carne suína caíram 13% no acumulado de janeiro a outubro de 2008 em relação ao mesmo período de 2007, com retração da demanda russa. No entanto, em 2008 verifica-se uma recomposição nos preços do produto em relação aos últimos dois anos. No mesmo período de janeiro a outubro de 2008, a receita foi 25,8% maior em relação a 2007.

O volume de carne suína embarcada caiu de 31,75 mil toneladas no acumulado de janeiro a outubro de 2007, para 27,62 mil toneladas em 2008, mas a receita subiu de US$ 53 milhões em 2007 para US$ 66,8 milhões este ano no mesmo período. "A redução nas exportações de carne suína começa a refletir no mercado interno onde os preços caíram 20% neste mês de novembro. Acredita-se que essa queda nos preços não será maior em função do aumento do consumo de carne suína durante as festas de final de ano", avalia, na nota, o governo paranaense.

As exportações de frango não foram afetadas pela crise econômica mundial e a expectativa da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) é que a carne de aves continuará se destacando entre as mais negociadas no mercado internacional, respondendo por 43% de todo o comércio de carnes no mundo.

No Paraná, a produção avícola bateu o recorde de abates no último mês de outubro, com 111 milhões de cabeças de frangos abatidas, o que conferiu ao mês a maior produção mensal verificada nos últimos dois anos. Entretanto, como decorrência da crise financeira internacional, a cadeia produtiva espera reduzir os números para o final do ano, buscando prevenir-se de possíveis e futuros percalços da economia.

Até a segunda metade de novembro de 2008, as exportações paranaenses de carne de frango somaram US$ 852 milhões, um crescimento de 21,3% em relação à receita de novembro de 2007, que atingiu US$ 702,6 milhões.

Suínos

Apesar das cotações em queda, o produtor de suínos do Paraná registra neste ano aumento de rentabilidade. O preço recebido, entre janeiro e outubro deste ano, é 57,5% maior, em média, que no mesmo período de 2007, mostra estudo da médica veterinária Ana Paula Brenner Busch, do Deral.

Os principais produtos suínos comercializados no atacado paranaense são a carcaça suína e os cortes lombo sem osso, paleta com osso e pernil com osso. De janeiro a outubro de 2008, os preços da carcaça suína no atacado foram, em média, 48,6% maiores que no mesmo período de 2007. O lombo suíno teve aumento de 10,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A paleta suína teve aumento de 46,1% e o pernil suíno, de 31,5% sobre os 10 meses de 2007. Segundo Ana Paula, os custos de produção ainda não estão críticos em função do baixo preço da saca de milho, em queda desde agosto.

"Em novembro, o preço recebido pelo milho teve redução de 6,8% em relação a outubro e a média parcial de novembro ficou em R$ 15,82/saca. Assim, a relação de troca do produto/insumo de janeiro a outubro foi, em média, 8,1 quilos de suíno/saca de milho, muito melhor que no mesmo período do ano passado quando a relação era de 10,3", destaca a técnica. "Outubro foi a melhor relação de troca entre os meses de 2008 e ficou em 6 quilos de suíno/saca de milho. Nestas semanas de novembro, apesar da redução do preço do suíno, a relação de troca ainda está boa, em torno de 7,1 quilos de suíno/saca de milho."

Os preços no atacado, na média parcial de novembro, também sofreram reduções em relação ao mês de outubro: carcaça suína, R$ 4,77/kg (-14,4%); lombo suíno sem osso, R$ 8,85/kg (-1,9%); paleta suína com osso, R$ 4,18 (-20,2%) e pernil suíno com osso R$ 5,82 (-8,0%).

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