O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que o Brasil está menos preocupado com a fraqueza da moeda chinesa do que outras grandes economias que reclamam do yuan. Segundo Meirelles, a economia brasileira está sendo puxada pela forte demanda interna, e o impacto das importações da China tem importância menor no Brasil do que em países como os Estados Unidos.

Meirelles também disse que ainda não decidiu se permanecerá no cargo até o fim do governo Lula ou se vai se desincompatibilizar da função a tempo de, eventualmente, concorrer a algum cargo eletivo. Ele comentou o assunto ao ser questionado por jornalistas ao término de uma palestra para banqueiros ocorrida, ontem, em Cancún, no México, durante a reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O presidente do BC afirmou que tem tempo para se decidir. O prazo para desincompatibilização do cargo expira em 3 de abril.

"A decisão que irei é tomar será, número um: se eu fico no Banco Central ou se eu saio do Banco Central. Se eu ficar, não poderei concorrer a nenhum cargo público e permanecerei no Banco Central até o fim do ano. Se eu decidir sair do Banco Central, então analisarei quais serão as opções disponíveis no momento", declarou Meirelles.

Ele se recusou a comentar rumores sobre a possibilidade de, no futuro próximo, ser chamado para vice numa possível chapa da pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Questionado por um jornalista estrangeiro sobre projetos para que o Banco Central do Brasil se torne uma instituição independente nos próximos anos, Meirelles disse: "Não faz parte das atribuições de um presidente do Banco Central mudar as leis do País. Isso cabe ao Congresso Nacional. O que podemos fazer é emitir opiniões. Particularmente, minha experiência como membro do comitê de governadores do BIS (Banco de Compensações Internacionais) e todos os estudos e sondagens lá feitos mostram que, no longo prazo, um banco central legalmente independente provou ser um caminho eficiente e exitoso a ser seguido. Mais uma vez, porém, afirmo que a forma como funciona no Brasil tem dado muito certo."
Eleições. O deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazendo, procurou afastar o risco político na economia brasileira, na noite de sábado, durante evento do BID em Cancún.

"Acredito que esta será a primeira eleição (para presidente) na qual as pessoas irão às urnas sem medo de votar e sem que os partidos façam uso do medo para incentivar determinados comportamentos por parte do eleitor", opinou o deputado.

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