María Peña. Washington, 28 jan (EFE).- A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou hoje, em meio a acirradas disputas partidárias, um plano de US$ 819 bilhões destinado a dar novo viço à economia do país, que enfrenta sua pior crise desde a Grande Depressão.

O projeto, que inclui cortes tributários e despesas fiscais para os próximos dois anos, foi aprovado com 244 votos a favor e 188 contra, mas não obteve apoio dos republicanos, apesar de todo o cortejo do presidente Barack Obama.

No entanto, Obama não guarda rancores. Segundo a Casa Branca, o presidente convidou líderes democratas e republicanos de ambas as câmaras do Congresso para um coquetel esta noite.

Em princípio, a maioria democrata falava de um plano de US$ 825 bilhões, mas o montante caiu a US$ 816 bilhões e, durante o debate de várias emendas, os legisladores acrescentaram outros US$ 3 bilhões para despesas no setor de transporte.

A votação aconteceu às 21h15 (Brasília), momentos depois que fosse derrubada uma alternativa de US$ 475 bilhões apresentada pela minoria republicana, que tachou o plano de custoso e ineficaz.

Também foi rejeitada outra proposta republicana, impulsionada por John Mica, para modificar o texto do plano impulsionado pelo novo chefe de Estado.

O Senado prevê começar a debater o plano na próxima semana, embora os republicanos insistam em modificá-lo. A ideia é enviar o documento final à Casa Branca em 16 de fevereiro.

O plano, de 647 páginas, procura criar e preservar entre três e quatro milhões de empregos, impulsionar os investimentos em infraestrutura e projetos energéticos, e destinar ajudas aos desempregados e aos Governos locais e estaduais.

O projeto de lei inclui pouco mais de US$ 365 bilhões para a infraestrutura nacional, além de US$ 180 bilhões em ajudas aos desempregados e outros programas sociais.

Fora isso, destina US$ 275 bilhões a cortes tributários que incluiriam um crédito de até US$ 500 para os trabalhadores.

Obama, que esperava um apoio dos dois grandes partidos ao plano, reiterou que os Estados Unidos atravessam um momento "perigoso" e que "não há tempo a perder" para reativar a economia.

O governante, que dedicou toda sua primeira semana na Casa Branca a promover o plano, se reuniu esta manhã com vários executivos de grandes corporações para avaliar uma crise que causou o corte de milhares de empregos.

Na terça-feira, Obama foi ao Capitólio para persuadir os detratores republicanos do plano.

Mesmo assim, os republicanos apresentaram durante um acalorado debate uma alternativa com mais cortes tributários que, segundo eles, custaria menos, criaria "6,2 milhões" de empregos e seria o melhor antídoto para os problemas da economia.

Em um caso extremo, a imprensa local destacou o caso de um homem em Los Angeles que, após perder seu emprego em uma companhia de serviços médicos, assassinou sua esposa, também desempregada, e seus cinco filhos.

Calcula-se que a economia esteja perdendo mais de meio milhão de empregos por mês. Ao longo da semana, mais de 100 mil pessoas ficaram sem trabalho.

Perante esse obscuro panorama, os democratas insistiram que o plano criará empregos e fomentará o crescimento econômico, enquanto os republicanos replicavam alegando que as despesas fiscais são excessivas e que os cortes de impostos não são suficientes.

"Há oito dias, o presidente Obama fez seu discurso de posse, que acho que é um grande guia para o futuro. Com a ação rápida e audaz de hoje, estamos fazendo isso, estamos levando os EUA por uma nova direção", disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi.

Porém, a oposição montou uma campanha contra um plano que qualificou como uma orgia de despesas fiscais e que terá pouca eficácia a curto prazo para ajudar as classes média e empresarial.

Um dos líderes da oposição, Eric Cantor, expressou confiança em que, durante o processo de harmonização bicameral, os democratas incorporem as soluções republicanas "de bom senso" antes de enviar o projeto de lei à Casa Branca. EFE mp/rr

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