BRASÍLIA - Cumprindo determinação do governo, a Caixa Econômica Federal ajudou a melhorar a liquidez do setor produtivo, batendo recorde na liberação de crédito a empresas em outubro, com R$ 4,5 bilhões. O maior fluxo mensal anterior era de R$ 2,8 bilhões, em julho último.

Isso ocorreu justamente no mês de piora da crise financeira internacional, que levou os bancos em geral a segurar o crédito.

"A Caixa tem uma situação de liquidez melhor do que a de outros bancos", justificou o vice-presidente de Controle e Risco, Marcos Vasconcelos. "A Caixa apenas atendeu a um movimento que já vinha forte", justificou. Mas ele admitiu que houve um aumento na demanda de grandes empresas.

Durante o pico da escassez de crédito e concentração de liquidez nos grandes bancos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou por diversas vezes que havia determinado aos bancos estatais (Caixa, Banco do Brasil e BNDES) que cumprissem seus papéis de bancos oficiais, com a liberação de empréstimos.

"Não tínhamos por que não fazer isso, seguindo uma avaliação de risco e liberando crédito de boa qualidade a grandes corporações", explicou Vasconcelos.

Segundo o executivo, a carteira de crédito a pessoas jurídicas, que subiu 34,8% em 12 meses até setembro, deve fechar o ano com alta de 37%, acima da média de 33,7% prevista para o mercado, e também superior à variação do crédito global da instituição, que deve ter expansão de 33%.

Ele informou ainda que a Caixa adicionou 3,4 milhões de clientes à sua base desde setembro de 2007, somando agora 44,3 milhões. Entre os novos, cerca de 85 mil são empresas, na maioria grandes corporações.

Esse movimento contribuiu para que o banco estatal registrasse seu melhor período na captação de depósitos à vista, com ampliação de 29,7% em 12 meses até setembro, para R$ 11,44 bilhões, ante expansão média do mercado em 5,5%.

O incremento no crédito global e a redução da inadimplência foram os motivos principais apontados pela presidenta Maria Fernanda Coelho para o lucro líquido da Caixa de R$ 3,26 bilhões, no acumulado de janeiro a setembro, um crescimento de 90% sobre igual intervalo de 2007.

"Nesse momento de turbulências, o país reconheceu a importância de bancos públicos consolidados como a Caixa para garantir crédito e dar continuidade aos investimentos públicos", disse Coelho, destacando os recursos liberados a obras de infra-estrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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