O Comitê de Política Monetária (Copom) pode anunciar hoje um aumento na taxa básica de juros (Selic) que está em 8,75% ao ano, mas segundo estimativas do mercado deve chegar a 11,25% até o fim de 2010. Porém, mesmo que a alta se concretize, o consumidor pode nem sentir a mudança: a Caixa Econômica Federal diz que não pretende repassar o aumento.

As taxas ficariam como estão.

O mercado especula que o Banco do Brasil faça o mesmo. " Se isso ocorrer, ficará instaurada uma competição mais acirrada entre as instituições financeiras, com vantagem para os bancos públicos, que hoje já respondem por cerca de 40% do mercado", avalia Braulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores. "E quem ganha com isso é o consumidor."
Há muito espaço para que os juros cobrados pelos bancos permaneçam como estão. Para começar, o spread bancário (diferença entre as taxas cobradas pelos bancos e as que eles pagam pelo mesmo dinheiro) no Brasil é o segundo maior do mundo, perdendo apenas para o do Zimbábue. "Mesmo que a Selic subisse 0,5 ponto porcentual, os bancos poderiam segurar o aumento. Resta saber se eles querem fazer isso", diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac. "Até porque, os juros cobrados pelos bancos já vêm subindo."
Oliveira ressalta que o encarecimento do crédito foi fruto da recente mudança das regras dos depósitos compulsórios, que serviu para diminuir a movimentação financeira no Brasil, já atuando portanto no combate à inflação.

Para Celso Grisi, diretor do Instituto de Pesquisa Fractal, o Copom nem deveria pensar em aumentar os juros agora. "A mudança dos compulsórios, por ora, já foi suficiente."

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