Rio - O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou nesta segunda-feira, em seu discurso na abertura do Rio Oil & Gas Conference, que o Brasil enfrentará enormes desafios após as descobertas de reservas de petróleo na camada pré-sal, localizada abaixo do leito marinho. As descobertas são gigantescas, disse Gabrielli, antes de citar o potencial de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis nos blocos de Tupi e de Iara. Para cada sistema produtivo (plataformas e equipamentos necessários para produção, estocagem e transporte do óleo) serão necessários investimentos de US$ 7 bilhões e são muitos sistemas produtivos, até 60, disse ele ao exemplificar os desafios financeiros.

Acordo Ortográfico Além da questão financeira, cujos "desembolsos serão gigantescos nos próximos dez anos", Gabrielli citou ainda que o Brasil e a companhia terão de enfrentar entraves tecnológicos e humanos para a exploração do petróleo após as novas descobertas. "Os modelos tecnológicos da Bacia de Campos são necessários para o início da exploração das novas áreas, mas não suficientes. Por isso teremos de encontrar tecnologias novas", afirmou.

Plano estratégico

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, afirmou nesta segunda-feira que a Petrobras ainda vai levar um mês para divulgar seu novo plano estratégico. O executivo não quis comentar a informação de que a empresa, no novo plano, iria divulgar investimentos de US$ 500 bilhões para a área de exploração e produção até 2020, como foi publicado na revista Brasil Energia, especializada no setor. "Eu desconheço esse número. Não vamos falar sobre especulações", disse.

O diretor fez questão de ressaltar que hoje a Petrobras ainda trabalha com os números do último plano estratégico, que prevê investimentos totais de US$ 112 bilhões até 2012. Segundo ele, a Petrobras ainda estuda quais serão as necessidades de investimento da companhia que devem ser incluídas no novo plano estratégico - o primeiro a englobar investimentos na área do pré-sal.

Ele participou nesta segunda-feira do Brazilian Norwegian Estrategic Partnership, que acontece no Hotel Sofitel, em Copacabana. Barbassa não quis comentar também as declarações feitas pelo ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, na última sexta-feira (dia 12), de que o além de Tupi e de Iara, já seriam conhecidas também as estimativas de volumes para a área de Jupiter, no pré-sal da Bacia de Santos. Barbassa limitou-se falar: "Quando tivermos conhecimento iremos divulgar", disse.

Por fim, o presidente da Petrobras cobrou a distribuição de renda aos brasileiros dos recursos obtidos com o petróleo e afirmou que o evento é uma forma de suprir o outro desafio, o de atrair as cadeias produtivas de equipamentos, suprimentos e de tecnologia para o País.

Também na cerimônia de abertura do Rio Oil & Gas Conference, o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos França de Luca, voltou a cobrar do governo a preservação do ambiente regulatório e o cumprimento dos contratos no setor de exploração de petróleo. "Reiteramos a convicção de que o atual modelo de concessões é o mais adequado à exploração do pré-sal", disse.

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