Um pedido feito pelo advogado Carlos Ely Eluf ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode impedir que agentes da Polícia Federal (PF) algemem o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que está sendo extraditado hoje para o Brasil. O pedido foi feito junto a um de habeas-corpus protocolado pelo advogado na semana passada para que seu cliente responda o processo em liberdade.

Os pedidos serão analisados pelo presidente do STJ, ministro Humberto Gomes de Barros.

Em 2005, Cacciola foi condenado no Brasil a 13 anos de prisão pelo crime de desvio de dinheiro público e de gestão fraudulenta. Como tem cidadania italiana, ele passou a viver na Itália e não podia ser preso porque o país não deporta seus cidadãos.

Cacciola foi preso no Principado de Mônaco em setembro de 2007 por agentes da Interpol, depois que a 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro expediu o mandado. Posteriormente, o governo brasileiro pediu a extradição - deferida na semana passada pelo príncipe Albert II.

O ex-banqueiro deixou a prisão em Mônaco às 13h30 de hoje (8h30 em Brasília), rumo ao aeroporto local, escoltado por agentes da Polícia Federal. Cacciola estava preso em Mônaco desde 15 de setembro do ano passado.

Ele embarcou em um helicóptero, seguindo para o aeroporto de Nice, na França, onde embarcará em um vôo da Air France rumo a Paris. O embarque para o Brasil deve acontecer ainda hoje, às 22 horas (17 horas de Brasília) com chegada prevista ao Rio de Janeiro às 5 horas de amanhã.

A operação de extradição vinha sendo organizada havia 12 dias, quando o príncipe Albert 2º, soberano de Mônaco, homologou o parecer do Tribunal de Apelações do principado. A intenção inicial era promover a extradição do ex-foragido número 1 do Brasil na semana passada, mas trâmites burocráticos exigidos pelo governo da França comprometeram os planos.

Na sexta-feira, um enviado da Secretaria Nacional de Justiça chegou à Europa para acelerar o processo. Ontem à noite, o mesmo representante viajou para o principado. Junto dele seguiu uma equipe da PF.

A extradição é marcada pelo sigilo. O temor do Ministério da Justiça até ontem era que o vazamento das informações permitisse à defesa montar uma estratégia de emergência para impedir a transferência. O segredo era tamanho que, no final da tarde de ontem, o Serviço de Imprensa do principado negava a operação, apesar de a imprensa local tê-la informado.

Cacciola é procurado pela Justiça desde 2000, quando deixou o Brasil, via Paraguai, em direção à Itália. Em 2005, ele foi condenado, à revelia, no Brasil, a 13 anos de prisão por crimes de peculato - apropriação ilegal de recursos por funcionário público ou com auxílio de um - e gestão fraudulenta. A sentença diz que os Bancos Marka e FonteCindam deram R$ 1,5 bilhão de prejuízo à União durante a crise cambial de janeiro de 1999.

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