O advogado de Salvatore Cacciola, Carlos Ely Eluf, informou que o seu cliente contratou em Mônaco o advogado Frank Michel para defendê-lo junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, onde solicitou a intervenção do Departamento Especializado em Direitos Humanos Contra a Tortura para evitar a extradição, pois, se ela ocorrer, o ex-banqueiro teme que o tratamento que receberá pelas autoridades brasileiras possam proporcionar alto nível de constrangimento, o que poderia ser avaliado como tortura emocional ou psicológica. Eluf já esteve em duas ocasiões na Europa e conversou pessoalmente com Salvatore Cacciola.

Segundo ele, o ex-banqueiro mostrou-se muito revoltado com a situação que está vivendo, pois acredita que foi pego "como uma espécie de bode expiatório" de um escândalo financeiro. "Salvatore Cacciola está sendo injustiçado, pois é visto por ter usufruído de informação privilegiada quando ocorreu a mudança do regime cambial, em 1999. Informação privilegiada ocorre para beneficiar quem a possui e, no caso, ele não recebeu informação alguma pois manteve suas posições a favor do real. Se ele tivesse recebido a informação de que ocorreria a desvalorização cambial, ele não teria fechado o banco, pois teria apostado tudo na compra de dólares", argumentou Eluf.

Os advogados de defesa de Cacciola avaliam que se o ministro Gilmar Mendes não conceder a liminar de habeas corpus, ficaria livre o caminho para a continuidade do processo de extradição do ex-dono do Banco Marka para o Brasil. Contudo, ressaltam que há outros quatro pedidos de habeas corpus a favor de Cacciola, que já foram solicitados anteriormente ao STF.

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