O ex-banqueiro Salvatore Cacciola afirmou nesta manhã que não é um foragido. Em rápida entrevista na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio, Cacciola disse: Fui para a Itália com passaporte carimbado, entrei na Itália e saí do (Brasil) livre, com decisão do ministro Marco Aurélio Mello [do Supremo Tribunal Federal, que, em 2000 deu liminar a ele devido a pedido de prisão preventiva expedido pelo Ministério Público], cheguei na Itália em 17 de julho e estou voltando ao Brasil em 17 de julho. No dia 19 (de julho do ano passado) o ministro [Carlos] Velloso anulou (a decisão anterior) e decidi não voltar mais.

Cacciola disse ainda que se sente tranqüilo e confia na Justiça. "Estou voltando preso mas é bom lembrar que as pessoas que foram condenadas junto comigo nesse processo estão trabalhando, estão livres. Eu não estava fazendo nada diferente do que elas estavam fazendo aqui (no Brasil). Só que eu estava fazendo na Itália e respondendo a todos os processos por rogatória. Estava sempre à disposição da Justiça; a diferença é que eu estava na Itália".

Sobre afirmação de seu advogado, Carlos Eluf, de que sua prisão tem conotação política, visando atingir o governo de Fernando Henrique Cardoso, respondeu: "Não se sei ela (a prisão) tem conotação política, não dou opinião em relação a isso, estou à disposição da Justiça e a Justiça vai decidir o que ela achar que deve decidir. A única coisa que posso lembrar é que na sentença das 10 pessoas, todos podem fazer apelação em liberdade, menos o Cacciola, porque estava foragido. Mas eu não sou um foragido".

Sem algemas

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Gomes de Barros, já havia concedido liminar para impedir os policiais federais de algemar Cacciola na sua chegada ao País.

Segundo a estudante Heloisa Helena de Almeida, que estava no mesmo vôo, o ex-banqueiro aparentava tranqüilidade.

'Ele não estava algemado, estava acompanhado de alguns agentes e muito tranqüilo, com cara de férias', disse a estudante.

Segundo o advogado, Cacciola foi acompanhado por oito agentes da PF e pelo procurador da República Arthur Gueiros.

O advogado disse que espera conseguir um habeas corpus para Cacciola dentro de 15 dias.

'A prisão preventiva de 81 dias já expirou e há outras pessoas no caso que estão em liberdade', disse Eluf. 'Ele (Cacciola) não fugiu. Ele tinha um habeas corpus que o permitia sair do país pela fronteira', acrescentou o advogado.

Caso Marka

Em 2005, Cacciola foi condenado no Brasil a 13 anos de prisão pelo crime de desvio de dinheiro público e de gestão fraudulenta do Banco Marka. A sentença diz que os Bancos Marka e FonteCindam deram R$ 1,5 bilhão de prejuízo à União durante a crise cambial de janeiro de 1999. Como tem cidadania italiana, ele passou a viver na Itália e não podia ser preso porque o país não deporta seus cidadãos.

Cacciola foi preso no Principado de Mônaco em setembro de 2007 por agentes da Interpol, depois que a 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro expediu o mandado. Posteriormente, o governo brasileiro pediu a extradição - deferida na semana passada pelo príncipe Albert II.

O ex-banqueiro deixou a prisão em Mônaco às 13h30 desta quarta-feira(8h30 em Brasília), rumo ao aeroporto local, escoltado por agentes da Polícia Federal. Cacciola estava preso em Mônaco desde 15 de setembro do ano passado.

Ele embarcou em um helicóptero, seguindo para o aeroporto de Nice, na França, onde embarcarcou em um vôo da Air France rumo a Paris, de onde partiu rumo ao Brasil.

A operação de extradição vinha sendo organizada havia 12 dias, quando o príncipe Albert 2º, soberano de Mônaco, homologou o parecer do Tribunal de Apelações do principado. A intenção inicial era promover a extradição do ex-foragido número 1 do Brasil na semana passada, mas trâmites burocráticos exigidos pelo governo da França comprometeram os planos.

Na sexta-feira, um enviado da Secretaria Nacional de Justiça chegou à Europa para acelerar o processo. Na terça (15) à noite, o mesmo representante viajou para o principado. Junto dele seguiu uma equipe da PF.

(*Com informações das agências Estado e Reuters)

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