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Cabral chora pelos royalties perdidos

A aprovação na Câmara dos Deputados da Emenda Ibsen, que redistribui os royalties do petróleo, levou ontem o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), às lágrimas. No final de uma palestra a estudantes da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), que o convidara para uma aula inaugural, Cabral disse que os deputados que aprovaram a emenda promoveram um linchamento do Rio.

Agência Estado |

Se for validada pelo Senado, a emenda vai tirar do governo estadual e de 90 municípios fluminenses R$ 7,2 bilhões por ano.

"É a maior leviandade que a Câmara dos Deputados fez na sua história desde a Proclamação da República. Não há nada mais irresponsável que tenha visto na minha vida", disse Cabral. Emocionado, ele criticou os deputados e comparou a emenda a outras decisões históricas que prejudicaram o Rio, como a perda da capital federal.

O governador disse que a aprovação da emenda banaliza a democracia, e que faltou discussão qualificada. "É uma irresponsabilidade. A gente luta pela democracia e tem de se orgulhar do Congresso com todos os seus defeitos", lamentou, interrompendo a fala. Chorando, enxugou os olhos com um lenço, mas não conseguiu concluir. "A repercussão dessa emenda é fechar o Estado. Esquece Olimpíada, esquece Copa do Mundo, esquece tudo. Acabou o Estado", disse Cabral. "É uma brincadeira de mau gosto."
Na saída, o governador disse que suas lágrimas não foram de raiva, mas de tristeza. "Segurei ontem, mas acabei liberando a emoção hoje. Ontem à noite, com minha mulher e meus filhos, literalmente deitado na cama, fiquei vendo aquela votação. Vi exatamente o processo final, faltando 20 minutos. E as declarações de votos que ouvi? 380 deputados votando favoráveis. O que é isso?"
SÃO JOÃO
Para o secretário da Fazenda do Rio, Joaquim Levy, a medida será ineficaz para melhorar as condições financeiras dos demais Estados ao utilizar os critérios de distribuição dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).

"Hoje, os recursos do FPE e FPM somam R$ 100 bilhões. Se, mesmo ganhando isso, os outros Estados continuam com índice de pobreza elevado, qual a diferença se passarem a ganhar mais R$ 5 bilhões ou R$ 7 bilhões? Talvez façam mais festas. Talvez o São João seja mais animado." Levy também criticou a medida por ser "extremamente eleitoreira". "O eleitor está sendo levado pela miragem do petróleo."
Cabral repetiu que confia no veto do presidente Lula e numa solução final do Supremo Tribunal Federal (STF), caso o veto seja derrubado pelo Congresso. Para o governador, a emenda é inconstitucional. Ele se queixou de "falta de solidariedade" dos parlamentares dos outros Estados com o Rio, que, frisou, "é frequentado por todos".

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