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O presidente George W. Bush anunciou neste sábado que os Estados Unidos podem ser, num futuro bem próximo, o anfitrião de uma reunião de cúpula internacional sobre a crise financeira mundial.

"Espero receber a reunião num futuro próximo, para nos assegurarmos de que esta crise não volte a acontecer", afirmou Bush ao dar as boas-vindas ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, e ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso.

"Enquanto fazemos as mudanças necessárias referentes aos órgãos reguladores e às instituições para evitar uma repetição desta crise, é essencial que preservemos os fundamentos do capitalismo democrático", advertiu o presidente americano.

"Esta cúpula deve ser realizada rapidamente, talvez antes do fim de novembro", insistiu, por sua vez, Sarkozy, sugerindo que aconteça em Nova York, de "onde partiu a crise".

"Queremos construir o novo mundo do século XXI mano a mano com vocês. Não se pode perder tempo. Queremos uma cúpula do G8 sem dúvida com o G5" (composto pela China, Índia, África do Sul, México e Brasil), prosseguiu o chefe de Estado francês, que propôs construir "o capitalismo do amanhã".

Sarkozy chegou neste sábado aos Estados Unidos para tentar persuadir seu colega norte-americano sobre a necessidade de se realizar uma reunião de cúpula do G8 ampliada para reestruturar o sistema financeiro internacional e evitar no futuro uma crise como a atual.

A reunião de três horas entre Bush, Sarkozy e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, acontece na residência presidencial de Camp David, nas montanhas de Maryland (leste dos Estados Unidos).

Estes querem uma reforma real e completa, uma espécie de novo Bretton Woods, o conjunto de acordos que determinam desde 1944 a administração das finanças internacionais.

Bush admitiu na sexta-feira a necessidade de tomar medidas para que os problemas que afetam a máquina financeira não tornem a ocorrer.

Seu governo também superou suas reticências e aceitou a idéia de uma reunião de cúpula internacional que reúna os países do G8 e as grandes economias emergentes, além de se declarar aberto a todas as opções.

Mas Bush não se comprometeu com uma reforma além do sistema norte-americano, o que, de qualquer forma, recairá sobre seu sucessor desde janeiro de 2009, enquanto que os europeus propõem uma espécie de supervisão mundial dos mercados a cargo do Fundo Monetário Internacional.

Bush também advertiu para os efeitos negativos que novas regulamentações poderiam ter sobre a atividade econômica.

Sarkozy exortou novamente na sexta-feira as autoridades mundiais a tirarem lições da crise e advertiu para o risco de que nesta não seja visto mais do que um "parêntese" após o qual todos poderiam "recomeçar como antes".

Com o risco de irritar os norte-americanos, o presidente francês se referiu ao surgimento de um "mundo novo".

"Este mundo novo, se conseguirmos regulá-lo, organizá-lo, moralizá-lo, fará que desta crise saia um progresso para a humanidade, mas se não conseguirmos e ficarmos no cada um por si, os egoísmos, os fanatismos, a lógica do enfrentamento prevalecerão, e assim, este mundo será talvez pior do que conhecemos", disse na Assembléia Nacional de Quebec.

A Casa Branca tenta mostrar que não se deve esperar demais das negociações de Camp David. Bush recebe Sarkozy e Barroso porque eles "estão próximos", no caminho de volta entre Canadá e Europa, disse sua porta-voz, Dana Perino.

"Posso assegurar que não creio que Bretton Woods seja reescrito" neste sábado em Camp David, brincou.

Para ela, a data e o local de uma reunião internacional não serão decididos em Camp David. Sarkozy, no entanto, ressaltou que já havia se chegado a um acordo sobre a realização de tal reunião antes do final do ano. Ele quer que seja realizada em novembro em Nova York, onde entende que tudo começou.

Os europeus, que criticam os Estados Unidos por terem deixado livres os banqueiros e investidores em nome do princípio sagrado da livre concorrência, comemoram o fato de terem conseguido coordenar suas ações durante a crise para assumir uma posição de questionamento à "liderança" norte-americana.

No "mundo novo" ao qual se referiu na sexta-feira e cujo surgimento coincidiria com o final da era Bush, Sarkozy, que exerce atualmente a Presidência rotativa do Conselho Europeu, ressaltou que os norte-americanos deviam "entender que eles são sócios, que não estão sozinhos no mundo".

lal/dm/cn