Jorge A. Bañales.

Nova Orleans (EUA.), 3 set (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ordenou hoje a liberação de petróleo da Reserva Estratégica, a pedido das empresas do setor, para atender à demanda gerada por "Gustav", e prometeu ajudar os centenas de milhares de afetados pela passagem do furacão.

Bush, criticado há três anos por sua lenta resposta ao desastre provocado pelo "Katrina", se reuniu hoje na capital da Louisiana, Baton Rouge, com o governador, Bobby Jindal, e com os serviços de emergência para supervisionar as atividades de ajuda à população e o restabelecimento dos serviços.

"Uma companhia petrolífera com operações na Louisiana solicitou ontem (terça-feira) à noite petróleo da Reserva Estratégica e ordenei que esse fosse entregue", disse Bush à imprensa após visitar um centro de emergências da Louisiana.

Esta era uma das possibilidades cogitadas no Departamento de Energia americano na última semana para evitar que os problemas de fornecimento que ocorreram após o "Katrina", há três anos, se repitam.

A Reserva é uma salvaguarda chave para assegurar a provisão de petróleo nos EUA e conta atualmente com 707,2 milhões de barris.

Bush comprovou a grande quantidade de árvores e postes derrubados em toda a região em conseqüência da passagem de "Gustav", que deixou mais de 750 mil pessoas sem energia.

O presidente disse que embora "ainda haja muito trabalho a fazer" - como o restabelecimento completo da eletricidade -, "a primeira fase de resposta ao 'Gustav' foi muito boa".

De fato, esta manhã, centenas de pessoas começaram a retornar para o sul. Elas seguiram as instruções das autoridades locais, que tinham evacuado uma faixa de até 100 quilômetros de Slidell até o município de Cameron, próximo ao estado do Texas.

Desde o último sábado, a cidade de Nova Orleans estava quase deserta. Apenas um pequeno grupo de moradores que não acatou a ordem de evacuação esperava hoje a chegada de água e alimentos, já que a falta de eletricidade impediu a conservação de comida em refrigeradores.

"Não fomos porque estamos cansados de correr dos furacões", disse à Agência Efe Rodman Charles.

"Não temos dinheiro para ir a outro lugar e, além disso, temos que cuidar de outras pessoas, como de uma vizinha de idade avançada cega e que vive sozinha", contou.

O prefeito da cidade, Ray Nagin, disse que preferia adiar o retorno dessas pessoas, pois os serviços públicos ainda não funcionam e há muitas ruas bloqueadas por árvores caídas.

Entretanto, disse ele, a população quer voltar já.

"Em minha humilde opinião, estamos forçando o assunto, mas teremos que lidar com isso", disse Nagin.

As colunas de automóveis e caminhonetes, repletos de famílias, animais domésticos e malas, começaram a entrar antes do amanhecer no município de Jefferson.

Enquanto isso, na entrada do bairro de Chalmette, a Polícia permitia somente a passagem de pessoas que pudessem comprovar que moravam no local.

Em uma tentativa de atrasar o retorno das famílias à região, o secretário de Segurança Nacional, Michael Chertoff, disse que "mais de 2.500 empregados da Agência Federal para a Gestão de Emergências (Fema, em inglês) tramitarão as solicitações para o pagamento de hotéis onde os atingidos tiveram de se hospedar".

Uma das maiores emissoras de rádio de Nova Orleans iniciou sua própria campanha de ordem pública.

Os locutores decidiram informar dos poucos postos de gasolina que vão reabrindo e pedem aos ouvintes que denunciem imediatamente qualquer tentativa de especulação que eleve os preços acima do normal. EFE jab/rb/db

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