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KENNEBUNKPORT, Estados Unidos (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou sobre o fracasso da Rodada de Doha com o presidente norte-americano, George W. Bush, neste sábado, segundo a Casa Branca. Bush expressou frustração em relação ao colapso das negociações sobre o comércio global e reafirmou o compromisso de buscar a consolidação de um acordo, acrescentou a Casa Branca.

Na última terça-feira, a tentativa de concretizar um acordo de livre-comércio mundial fracassou em Genebra diante de um impasse entre Estados Unidos e Índia.

Os dois países discordaram sobre uma proposta que previa a proteção de pequenos agricultores no caso de um grande fluxo de importações.

Lula, que diz acreditar na conclusão da Rodada de Doha após as eleições norte-americanas e indianas, pediu para conversar com Bush por telefone, segundo a Casa Branca.

'Os presidentes Bush e Lula expressaram o compromisso com a concretização de um acordo nas negociações da Rodada de Doha, e desejam que os Estados Unidos e o Brasil trabalhem juntos no desenvolvimento de uma estratégia para o avanço nas negociações', disse a Casa Branca sobre a conversa, que durou 10 minutos.

Ministros de 35 países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) chegaram a concordar com até 85 por cento das propostas preliminares de um acordo sobre o comércio de bens agrícolas e industriais.

Mas as diferenças entre países ricos e pobres em relação ao restante das diretivas foram muito grandes para se chegar a um consenso.

A proposta tida como responsável pelo colapso das negociações mencionava um 'mecanismo especial de salvaguarda' que possibilitava aos países pobres elevar as tarifas de importação para proteger os pequenos produtores locais.

A Índia e a Indonésia afirmaram que precisavam do mecanismo para proteger milhões de pessoas que praticavam agricultura de subsistência dos choques inesperados que poderiam surgir após a abertura comercial.

Os Estados Unidos, por sua vez, receavam que o agronegócio do país perdesse novos mercados após reduzirem significativamente o valor máximo dos subsídios agrícolas.

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