O presidente americano, George W. Bush, se disse preocupado nesta quinta-feira com os riscos que pesam sobre a economia nacional e afirmou que seu governo fará o necessário para devolver estabilidade aos mercados e restabelecer a confiança dos investidores.

"Os americanos estão preocupados com a situação nos nossos mercados financeiros e com o estado da nossa economia, e eu compartilho destas preocupações", afirmou Bush, rompendo o silêncio desde segunda-feira sobre uma crise que só vem se intensificando.

No dia seguinte a uma nova debandada em Wall Street, Bush falou das medidas "extraordinárias" adotadas recentemente por seu governo e, na madrugada, pelo Federal Reserve (Fed, banco central).

"Estas medidas são necessárias e importantes, e os mercados estão se ajustando a elas", disse Bush que, num sinal da gravidade da situação, anulou na tarde de quarta-feira as viagens previstas ao Alabama e à Flórida para continuar a "vigiando de perto a evolução dos mercados financeiros e consultar seus conselheiros econômicos".

"Apesar destas medidas, nossos mercados financeiros continuam enfrentando graves desafios", reconheceu.

"Os americanos podem ter certeza de que nós vamos continuar agindo para reforçar e estabilizar nossos mercados financeiros e reforçar a confiança dos investidores", disse, deixando aberta a possibilidade de novas intervenções federais.

Bush fez as declarações após a abertura de Wall Street onde, sob o efeito de uma ação coordenada anunciada na madrugada pelos bancos centrais, o Dow Jones operava em alta de 1,23% e o Nasdaq subia 1,73%, após o caos da véspera.

O presidente americano, que tem apenas mais quatro meses na Casa Branca, vem enfrentando críticas severas pelo silêncio diante de uma das crises mais graves já vistas em Wall Street desde a Grande Depressão de 1929.

Ele se contentou em dar uma breve declaração segunda-feira, quando as turbulências se intensificaram nos mercados após o anúncio de pedido de concordata do banco de negócios Lehman Brothers, um dos pilares do Wall Street.

Ele afirmara que sua administração assumiria uma parte importante dos esforços para devolver a estabilidade aos mercados e manifestou sua confiança na resistência dos mercados a longo prazo.

Mas isso não convenceu os investidores: Wall Street registrou sua queda mais forte desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, o sistema financeiro ficou em pânico.

Bush deixou seu secretário do Tesouro, Henry Paulson, à frente da situação, apesar de uma intervenção inédita do governo com a quase nacionalização, anunciada terça-feira, da seguradora AIG para evitar que a crise se propagasse pelo planeta e atingisse diretamente o bolso dos americanos.

"O desabamento da AIG poderia ter perturbado severamente nossos mercados financeiros e ameaçar outros setores da economia", admitiu Bush nesta quinta-feira, justificando porque decidiu salvar a seguradora, e não o Lehman Brothers.

Esta intervenção do governo, após o socorro ao banco Bear Stearns em março e às gigantes de refinanciamento hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, coloca em questão a profissão de fé pela livre empresa que foi um dos fundamentos da política econômica de Bush.

A crise obscurece também o quadro de um fim de presidência cuja vitalidade econômica americana foi durante anos um dos maiores argumentos.

A Casa Branca explicou a reserva de Bush pela preocupação de não causar ainda mais tumulto nos mercados e não influenciar a campanha presidencial.

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