Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Bunge avalia que fornecedores de insumos reduzirão financiamento

Porto Alegre, 14 - Os fornecedores de insumos tendem a reduzir a parcela de seu financiamento aos agricultores na safra 2008/09, avaliou hoje o vice-presidente comercial da Bunge, Paulo Cezar Tinoco. As tradings - que tradicionalmente também participam no financiamento de parte da safra - já deram sinais no mesmo sentido.

Agência Estado |

Como o preço do adubo subiu de forma acentuada desde o último ciclo, o executivo justificou que não haveria como manter o mesmo patamar de financiamento fornecido pelos fabricantes do setor. Ele não detalhou o porcentual de redução esperado. Talvez ocorra a volta "ao habitat natural" do crédito via sistema financeiro, avaliou, após depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Insumos Agrícolas na Assembléia Legislativa gaúcha.

Tinoco foi o terceiro a falar na reunião de hoje da CPI, na qual representantes das fabricantes de adubos Bunge, Yara e Mosaic apresentaram um diagnóstico idêntico para as causas do aumentos de preço dos produtos. Para as indústrias, a alta é resultado do crescimento acelerado no consumo de China e Índia, subsídios para a compra de fertilizantes em grandes consumidores, baixos estoques de grãos no mundo (que impulsionam o plantio), impostos de exportação em alguns produtos nitrogenados, variação do petróleo e matérias-primas, além da dependência das importações. Tinoco afirmou que o consumo de fertilizantes na China e Índia subiu 22,32% em 2007 comparado a 2004, enquanto o do Brasil foi apenas 2,2% maior.

O diretor da Yara Brasil, Pedro Manfro, exemplificou que o cloreto de potássio aumentou 283% entre janeiro de 2007 e julho de 2008. Ao detalhar a variação das matérias-primas, disse que a alta de custo destes componentes em uma fórmula básica de fertilizante para a soja foi de 330%. Segundo as empresas, as matérias-primas representam cerca de 90% de seu custo. Os deputados da CPI solicitaram às empresas planilhas detalhadas com a variação de preços dos insumos adquiridos desde maio de 2007. "Durante muitos anos, foi mais barato importar (adubo) que produzir aqui", analisou Manfro, sobre a dependência das matérias-primas importadas, que chega a 70% da necessidade, conforme as empresas. "O Brasil não forma preço", reforçou Tinoco, da Bunge.

Concentração de Mercado

O presidente da CPI, Edson Brum (PMDB), considerou que há concentração de mercado no Brasil, já que cinco grandes empresas detêm a maior parte da comercialização de adubos (Bunge, Yara, Mosaic, Fertipar e Heringer), conforme calculou Manfro em seu depoimento. Segundo a Bunge, seis fabricantes respondem por 70% do mercado nacional. Para Brum, a CPI deverá trabalhar com propostas de isonomia tributária entre os Estados - uma queixa comum das empresas -, incentivo à pesquisa sobre jazidas brasileiras de matérias-primas e regulação de mercado, entre outras medidas.

A comissão foi instalada em maio para apurar "indícios de prática abusiva à ordem econômica" no aumento de insumos, conforme o pedido que justificou sua criação. As atividades da CPI serão interrompidas na próxima semana, junto com o recesso parlamentar da Assembléia, e voltam em agosto. O relatório deve ser apresentado em setembro.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG