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Face à resistência da Alemanha em apoiar um plano de socorro à Grécia, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, insinuou que seu país pode procurar o Fundo Monetário Internacional (FMI). A hipótese era até aqui taxada por líderes políticos, como o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, como uma demonstração de fracasso da União Europeia.

Mas ontem o discurso mudou. Em Berlim, segundo o jornal Financial Times, o governo da chanceler alemã Angela Merkel já considera a possibilidade. Até em Bruxelas a saída é cogitada. "É normal que o primeiro-ministro (da Grécia) não exclua nenhuma opção", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Amadeu Tardio.

A intransigência do governo da Alemanha em relação ao socorro, que gerava críticas veladas na União Europeia, agora também causam insatisfação pública. Ontem, Guy Verhofstadt, ex-primeiro-ministro da Bélgica, afirmou que a posição germânica é "grave" e "chocante".

Apesar da resistência europeia à ajuda do FMI, o fundo já auxiliou países-membros do bloco. No fim de 2008, Hungria e à Letônia pegaram empréstimo. Em 2009, foi a vez da Romênia.

Mais problema. O desemprego na Grécia teve a maior alta em 11 anos, o que amplia as dificuldades para Atenas reduzir o déficit orçamentário, já que os cortes de gastos apertam a economia já em contração.

A taxa de desemprego grega subiu para 10,3% no último trimestre de 2009, de 7,9% no ano anterior. Foi a maior variação na base anual desde que a série começou, em 1998.

O número de desempregados na Grécia já chega a 514 mil, 31% a mais que há um ano. A taxa de desemprego média nos 16 países da zona do euro ficou estável em 9,9% em janeiro, enquanto a Grã-Bretanha, um dos países europeus mais atingidos pela crise financeira global, registrou uma surpreendente queda no desemprego em fevereiro.

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