Ainda sob o impacto da crise da Grécia, a União Europeia (UE) enviou ontem advertências a 14 de seus países-membros sobre a credibilidade de seus planos de controle do déficit público. O mais preocupante é que o alerta foi direcionado às seis maiores economias do bloco.

Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha e Holanda foram questionadas sobre o otimismo excessivo de suas projeções de crescimento da economia entre 2010 e 2013,
A preocupação com o volume dos déficits da UE vem crescendo desde meados de 2009, quando ficou claro que os pacotes de estímulo à atividade econômica, baseados em planos de socorro e em investimentos públicos, implicariam num aumento insustentável dos gastos.

O resultado é que todos os maiores mercados do bloco hoje desrespeitam as normas do Pacto de Estabilidade do Tratado de Maastricht, que fixou em 3% o teto do déficit público. Na média, o déficit atinge 7,5% na região. A variação é ampla: a Alemanha, mais disciplinada, registra saldo negativo de 3,2%, enquanto o Reino Unido, mais atingido pela crise do sistema financeiro, soma 12,7% de déficit - índice idêntico ao da Grécia, hoje mergulhada em dúvidas.

Poucos países, entre eles Bulgária, Finlândia, Suécia e Estônia, convivem com cifras dentro dos limites, entre 1,9% e 2,6%.

Em 2009, a Comissão Europeia, braço executivo da UE, solicitou aos governos nacionais a elaboração de planos de recuperação das Finanças. Ontem, Bruxelas divulgou sua análise a respeito. "De maneira geral, na maior parte dos 14 programas examinados, as hipóteses de crescimento em relação às projeções orçamentárias são julgadas otimistas", afirma o relatório.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.