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Bruxelas, 14 abr (EFE).- A Comissão Europeia começou a debater hoje medidas para evitar uma nova crise de endividamento como a sofrida pela Grécia.

Bruxelas, 14 abr (EFE).- A Comissão Europeia começou a debater hoje medidas para evitar uma nova crise de endividamento como a sofrida pela Grécia. A idéia é aumentar a integração econômica e a vigilância orçamentária dos membros da zona do euro. O comissário Olli Rehn fez três propostas: o endurecimento das sanções para os países com déficit público excessivo; criação de um mecanismo permanente de resolução de crise similar ao habilitado para a Grécia e o aumento da vigilância orçamentária para atalhar divergências de competitividade na região. "Os primeiros dez anos do euro foram um sucesso, como mostra o fato da moeda ter superado a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. Mas a crise também aumentou os desafios. Sabemos o que é preciso fazer e temos os meios para fazê-lo", disse o comissário finlandês de Assuntos Econômicos e Monetários. Rehn prestou contas do primeiro debate mantido na Comissão Europeia sobre este assunto que deve servir de base para uma discussão entre os ministros europeus de Finanças em Madri este fim de semana. Um dos pontos que o colégio de comissários acredita que é preciso reforçar é o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que obriga todos os países a manter o déficit público abaixo dos 3% do PIB. "Precisamos assegurar o braço preventivo e o braço corretivo do pacto. O procedimento por déficit excessivo continuará, mas é preciso melhorá-lo", afirmou Rehn, que defendeu o endurecimento das sanções aos países que descumpram de maneira reiterada os pressupostos da zona do euro. Esta proposta está de acordo com o discurso da Alemanha, cujo Governo fez várias declarações neste sentido antes de aprovar o empréstimo da UE de 30 bilhões de euros para a Grécia, que só se materializará em caso de necessidade. O comissário finlandês chegou a colocar a possibilidade de suspender os fundos de coesão para os países que descumpram o pacto de maneira recorrente. Outra possibilidade enumerada para coordenar melhor as políticas econômicas é estabelecer um 'semestre europeu'. Os estados levariam seus orçamentos nacionais a Bruxelas antes de aprová-los e não depois, como se faz atualmente. Além disso, expôs a necessidade de aumentar a vigilância orçamentária para fazer frente às divergências de competitividade e macroeconômicas entre os diferentes países da zona do euro. Caso todas essas medidas falhem, Rehn propôs um mecanismo permanente de resolução de crises, que evite o improviso, como ocorreu com o caso grego. "O instrumento para a Grécia serve para a necessidade imediata, mas é preciso um mecanismo contínuo", disse Rehn, que destacou que esta solução só seria utilizada em última instância. O comissário evitou detalhar os incentivos que seriam empregados para evitar que os estados acudissem a este mecanismo cada vez que se vissem endividados, mas descartou que vá haver pedidos maciços neste sentido. "Quanto mais trabalho com meus amigos gregos e sigo a situação na Grécia, mais convencido estou que nenhum país quer estar em seu lugar", disse. Rehn explicou que a Comissão Europeia aposta no aumento da integração econômica da zona do euro sem sair dos limites do Tratado de Lisboa e descartou duas sugestões da Alemanha: um fundo Monetário europeu e a possibilidade de introduzir uma cláusula que permita expulsar um país da zona do Euro. EFE mgs/pb
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