Temendo uma quebra generalizada de seu sistema financeiro, o Reino Unido anunciou um pacote de US$ 87 bilhões para a compra de papéis podres dos bancos em dificuldades, no mesmo modelo do americano. O governo britânico também iniciou negociações com a França e outros governos europeus para a criação de um novo fundo continental de médio prazo.

"O mercado deixou de funcionar. Momentos extraordinários pedem soluções amplas", disse o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. "Essa é uma ação radical." O pacote era a última esperança do governo de salvar os bancos. "Precisamos garantir que o sistema continue funcionando", afirmou o ministro das Finanças, Alistair Darling.

A bolsa em Londres, no entanto, não se convenceu da eficácia das medidas. Logo após o anúncio, o índice caiu 1,4% e terminou o dia com perdas de 5,18%. Com isso, as ações dos principais bancos britânicos recuperaram apenas parte das perdas de terça-feira, quando seus papéis chegaram a cair 40%.

O governo britânico vai disponibilizar ainda £ 250 bilhões para as dívidas de médio prazo dos bancos. Outros £ 200 bilhões serão injetados no mercado em um "Esquema Especial de Liquidez", acordo entre bancos e papéis do Tesouro britânico para incentivar a oferta de crédito.

Oito bancos fizeram parte do acordo, mas nem todos serão resgatados e recapitalizados. Os bancos são Abbey, Barclays, HBOS, HSBC Bank, Lloyds TSB, Nationwide Building Society, Royal Bank of Scotland (RBS) e Standard Chartered. O presidente mundial do HSBC, Stephen Green, garantiu que não vai precisar do pacote. Outros dois bancos já haviam sido nacionalizados pelos ingleses, o Bradford and Bingley e o Northern Rock.

A oposição no Reino Unido atacou o uso de recursos dos contribuintes para salvar os bancos. George Osborne, um dos líderes do Partido Conservador, garantiu que vai trabalhar com o governo diante da preocupação que vivem os cidadãos. "Mas deixaremos claro que queremos que o dinheiro dos contribuintes também seja usado para garantir que pequenos comércios não fechem e que permitam que famílias não passem dificuldade", disse. "Temos de resgatar os bancos para que eles resgatem a economia, não para que eles resgatem os banqueiros."

O governo garantiu que os interesses dos cidadãos serão protegidos e que os executivos dos bancos em dificuldade não receberão prêmios milionários em caso de demissão.

O primeiro-ministro britânico negou que o plano seja uma cópia do pacote americano. "Precisamos de intervenções inovadoras para atacar o coração do problema", afirmou. Para ele, as medidas são necessárias para permitir que os bancos voltem a ter sua função de oferecer dinheiro e investimentos para famílias e empresas, o que não vinha acontecendo.

Brown ainda anunciou o envio da proposta de criação de um fundo europeu. "Estamos convidando outros países europeus a considerarem a proposta que fizemos de um fundo de médio prazo e consultas ativas sobre como adotar esse plano europeu." Ele telefonou para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que preside a União Européia. O francês também apelou por maior coordenação, em seu discurso realizado durante um evento, na cidade de Evian.

A Europa continua dividida em relação à iniciativa, ainda que Paris e Berlim tenham anunciado que passarão a coordenar suas ações. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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