Londres, 29 nov (EFE) - O primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Gordon Brown, afirmou hoje que os ricos devem compartilhar o sacrifício das medidas fiscais adotadas para impulsionar a economia e superar a crise financeira internacional. Brown fez a declaração em uma conferência organizada pelo Progress, uma entidade que produz pesquisas encomendadas e ligada ao Partido Trabalhista. Desta forma, o líder britânico justificou a medida proposta pelo Governo de elevar, a partir de abril de 2011, os juros máximos tributários de 40% para 45% às pessoas que ganharem ao ano mais de 150 mil libras (181.400 euros).

O objetivo é compensar a queda na renda que será provocada por outras medidas fiscais, como a redução em 2,5 pontos percentuais, a partir de 1º de dezembro e até janeiro de 2010, do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), dos atuais 17,5% até 15%.

A medida não foi adotada "por uma questão de inveja, mas para compartilhar o sacrifício que é necessário para sair destes tempos difíceis", defendeu o líder trabalhista.

Brown também anunciou que o Executivo empreenderá ações concretas "nos próximos dias" para forçar os bancos a fazerem o dinheiro circular e a facilitarem o crédito às pequenas empresas e às pessoas físicas que precisarem de ajuda para recuperar suas finanças.

Nas últimas semanas, diversos setores criticaram os bancos britânicos por utilizar o plano de resgate de 37 bilhões de libras (44,75 bilhões de euros) dos cofres públicos para maquiar seus balanços, em vez de usar o dinheiro para oferecer créditos mais favoráveis para pessoas físicas e empresas.

O dinheiro não circulou também entre os bancos, por isso a forte queda da taxa oficial de juros nas últimas semanas não se refletiu nos créditos das entidades.

Na terça-feira, o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, apelou para a responsabilidade das entidades financeiras e advertiu de que a economia britânica entrará em uma "brusca recessão" se os bancos não retomarem os empréstimos "de uma maneira normal".

"Isso é mais importante que qualquer outra coisa nestes momentos", ressaltou o responsável da autoridade monetária. EFE fpb/db

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