O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou hoje, em São Paulo, que as principais instituições multilaterais no mundo, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, devem mudar para ter condições de se adequar à nova realidade da economia global, surgida com a pior crise financeira desde a Grande Depressão de 1930. De acordo com Brown, essas instituições devem se modernizar, ser mais dinâmicas e abertas, pois o mundo mudou drasticamente desde quando foram criadas a partir da conferência de Bretton Woods, na década de 40.

Ele disse que a repartição do controle do FMI e do Banco Mundial entre os Estados Unidos e os países europeus precisa ser alterada. "O próximo presidente do Banco Mundial não precisa ser um norte-americano. O próximo presidente do FMI não precisa ser um europeu", afirmou. Para o primeiro-ministro, as nações em desenvolvimento que, segundo ele, são responsáveis por 70% do crescimento mundial, têm o direito de ter um poder mais compatível com o atual nível de importância para o PIB global. "Precisamos ter certeza de que os países emergentes têm representação e voz nessas instituições, o que foi negado por muito tempo."

Por outro lado, Brown destacou que o FMI precisa de uma injeção volumosa de recursos para fazer frente aos diversos países membros, que precisam de empréstimos nesse momento, a fim de combater os impactos da crise financeira. "Nossa proposta é aumentar os recursos disponíveis ao FMI para assegurar (estabilidade) às economias e cessar a crise." O primeiro-ministro afirmou que, na semana passada, o Reino Unido se comprometeu a repassar US$ 100 bilhões de dólares ao FMI.

Segundo ele, o encontro do G-20, na próxima semana deve debater a necessidade de um substancial aumento nos recursos em poder do FMI. "O Brasil pode participar. Esses recursos não são apenas cruciais a todo mundo, mas vão também apoiar a América Latina", comentou.

O primeiro-ministro ressaltou que os países membros do G-20 também vão tratar, no encontro que será realizado em Londres, sobre uma forma rápida a fim de estimular os financiamentos para o comércio mundial. Segundo ele, o credit crunch provocou uma queda próxima a US$ 100 bilhões de dólares dos empréstimos direcionados a exportadores e importadores. "Noventa por cento do comércio mundial ocorre com o crédito. Quando os financiamentos caem, seus custos sobem muito e as exportações são atingidas, causando impactos nos mercados emergentes."

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