Com o desemprego no maior nível em 17 anos - no atual trimestre, 164 mil pessoas perderam o emprego - e analistas já alertando que a economia está em recessão, o governo do Reino Unido anunciou investimentos bilionários na economia. Ao mesmo tempo, a credibilidade do primeiro-ministro Gordon Brown começa a se recuperar, refletindo a percepção positiva da opinião pública sobre a forma pela qual ele está lidando com a crise.

Sem mencionar o total do pacote, o chefe do Tesouro no Reino Unido, Alistair Darling, informou que o governo vai injetar bilhões de libras esterlinas no setor público para evitar que uma eventual recessão seja prolongada. Há duas semanas, o governo já havia anunciado um pacote de US$ 875 bilhões para o sistema financeiro. Agora, Londres garante que vai manter o orçamento de US$ 20 bilhões dos Jogos Olímpicos de 2012, vai gastar mais de US$ 25 bilhões em ferrovias e ainda comprar dois porta-aviões. Gastos em novos hospitais e escolas também serão antecipados.

Os investimentos privados, em 2009, devem cair ao menos 5%. Essa também será a taxa do aumento do desemprego até o fim de 2009. "O que queremos é evitar cortar gastos em coisas que o país precisa", disse Darling. Ele apontou para maiores empréstimos para quem precisa pagar hipotecas e para empresas não serem obrigadas a demitir funcionários. Mas quer em troca que as companhias cortem seus preços à medida que o petróleo e a inflação também recuem.

O governo está prometendo manter o "estilo intervencionista" proposto pelo economista John Maynard Keynes, mas não apenas no setor financeiro. "Precisamos apoiar a economia", afirmou Darling. Para alguns membros do gabinete, como Peter Mandelson, empresas "poderão ser obrigadas a fechar suas portas".

A crise está permitindo uma retomada da popularidade de Brown, que estava em franca queda. Pesquisas divulgadas ontem apontam que o Partido Trabalhista de Brown conseguiu reduzir pela metade, em um mês, a vantagem que o Partido Conservador tem nas projeções de voto para as eleições em 2010. A pesquisa deu 40% de preferência dos eleitores para os conservadores. A vantagem é de 9 pontos, a menor em mais de seis meses, segundo o jornal Independent.

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