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Brito, o presidente metódico e focado em resultados

A compra da Anheuser-Busch pela InBev levou o engenheiro Carlos Brito a enfrentar seu ponto mais fraco. Desde que a InBev iniciou as negociações com a dona da Budweiser, há cerca de um mês, o carioca Brito, 48 anos, foi obrigado a fazer o papel de relações-públicas da companhia.

Agência Estado |

O mesmo sujeito sério, que prezava o anonimato, não tolerava o "tapinha nas costas" e raramente concedia entrevistas - por opção e por falta de jeito - teve de escrever cartas para a população de St. Louis, sede da Anheuser, gravou um vídeo de apresentação da cultura da empresa, deu entrevistas coletivas para a imprensa local e se reuniu com políticos contrários à aquisição do ícone americano.

O episódio é revelador da determinação do executivo. Nenhum brasileiro conseguiu subir tão rápido e poucos foram tão alto na carreira internacional como ele. Nos últimos quatro anos, Brito virou diretor-geral da AmBev, foi nomeado presidente da canadense Labatt, alçado ao maior posto da InBev e agora deve comandar a nova empresa, a quarta maior do mundo em valor de mercado na indústria de bens de consumo.

Brito encarna com perfeição os princípios da cultura da AmBev, criada pelo trio Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, ex-sócios do Banco Garantia. Ele não subverte regras. É um executivo metódico, pragmático, com grande poder de realização, focado em resultados, obcecado por custos e por padronizar processos. Fora do escritório, leva uma vida caseira, sem extravagâncias. É casado e tem quatro filhos. Seu hobby é esquiar.

"Só as pessoas que se alinham totalmente com a visão e a forma de fazer são promovidas", explica Paulo Veras, diretor da Endeavor, instituição sem fins lucrativos grande divulgadora dessa cultura. "O objetivo dele agora é extrair o máximo de eficiência, assim como foi feito na InBev. A Anheuser-Busch é mais lucrativa que a Interbrew era antes da fusão. Não por eficiência, mas por ter uma marca forte."

Na curta passagem de Brito pela Labatt, o executivo fechou duas fábricas, cortou 445 funcionários e levou a empresa aos mais altos níveis de vendas de cerveja dos últimos anos. Os lucros cresceram 13%. Na InBev, ele também cortou vagas, fechou fábricas e padronizou toda a força de vendas. Até a chegada de Brito, a InBev era uma empresa global com atuação regional. "A cultura pode mudar de um país para o outro. Mas uma empresa só pode ter uma cultura", disse Brito numa palestra recente aos alunos da Universidade Stanford, onde ele fez um MBA financiado pelo próprio Lemann. (Foi aí que começou a ligação entre os dois. Na volta ao Brasil, ele ganhou uma vaga de gerente de fábrica na recém-adquirida Brahma.)

Se por um lado a postura agressiva gerou furiosos protestos de sindicatos de trabalhadores na Europa, por outro agradou investidores. O valor de mercado da InBev mais do que dobrou em dois anos. Com isso, os brasileiros foram ganhando mais espaço na cervejaria. Hoje, são 130 expatriados. Todos em postos-chave. Felipe Dutra, contemporâneo de Brito na AmBev, é o homem das finanças da InBev. Os diretores-gerais da China, América do Norte, Rússia e América Latina são brasileiros. "Em todos os lugares do mundo onde a gente está, é difícil encontrar gente que se adapta a esse estilo. Mas, quando a gente encontra, eles amam", disse Brito aos estudantes. "As empresas tradicionais promovem por experiência e não por eficiência, não fazem cortes e não diferenciam as pessoas. Você sabe onde vai estar em dez anos. É muito entediante."

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