Paula Gil. San Francisco, 15 out (EFE).- O mercado de brinquedos nos Estados Unidos se prepara para uma temporada de Natal que, como as duas anteriores, promete ser ruim em termos de vendas e aposta em presentes ao alcance de todos ou que reflitam a recessão, como a boneca sem-teto da Mattel.

Embora a decoração típica do Halloween, celebrado em 31 de outubro, tome conta dos corredores dos shoppings dos EUA, o Natal não está tão distante assim, e não custa lembrar que os americanos são autênticos campeões em começar cedo os preparativos para o principal período anual de compras no país.

Segundo dados divulgados pelo grupo varejista Wal-Mart, 70% dos consumidores americanos começarão a fazer suas compras de Natal antes do final de outubro e 55% já tinham começado a economizar em agosto para esses gastos extras.

Desde que a recessão começou, os americanos ficaram mais cautelosos e exigentes com suas compras do Natal, o que repercutiu em enormes perdas para a indústria de brinquedos e jogos.

No ano passado, as vendas do setor caíram para US$ 21,6 bilhões, seu nível mais baixo desde 2003, segundo a Associação da Indústria do Brinquedo dos EUA.

Até agosto deste ano, a distribuição tinha caído 2%, segundo números da empresa de consultoria NDP Group, e a expectativa é de que 2009 termine com uma queda de 1% frente a 2008.

Para animar os consumidores, os principais fabricantes do ramo estão apostando neste ano em marcas conhecidas e em brinquedos de sempre, mas em versões mais simples, a preços acessíveis para todos os bolsos.

As listas de brinquedos elaboradas por associações de consumidores mais interessantes para este Natal incluem menos brinquedos "high-tech" e mais nomes tradicionais como Lego e Play-Doh.

A Mattel, por exemplo, tirou a poeira da clássica Barbie - que acaba de completar 50 anos - e deu à boneca novos pontos de movimento em vez de lançar novos produtos no mercado.

Sua popular boneca da personagem Dora, a Aventureira chega às lojas americanas neste ano com dois preços: uma versão básica de US$ 20 para as famílias mais preocupadas com suas economias e outra de US$ 60 com algumas funções extras, como a possibilidade de mudar a cor dos olhos.

"Somos conscientes do que os consumidores podem pagar e o que não podem", disse Neil Friedman, presidente da Mattel Brands. "Temos algo para cada situação e 80% de nossos brinquedos custam menos de US$ 30".

A maioria dos produtos que prometem virar sucesso de vendas para este Natal nos EUA custam menos de US$ 100. A exceção mais chamativa é, talvez, o jogo eletrônico The Beatles: Rock Band, vendido por US$ 250.

Para quem tem pretensões mais modestas, algumas lojas de departamento já estão lançando campanhas centradas nos preços baixos e ampliam o número de brinquedos de baixo custo.

Este é o caso da Wal-Mart, que oferece 100 produtos por menos de US$ 10 nos EUA, entre eles o tradicional jogo de tabuleiro "Monopoly" - no Brasil, o popular "Banco Imobiliário" - e alguns modelos de Barbie e Lego.

"Começamos há meses a trabalhar para garantir que poderíamos oferecer o maior número de brinquedos possível em nosso programa de US$ 10", disse Laura Phillips, responsável de brinquedos da Wal-Mart.

Porém, nem todos os fabricantes estão refletindo os tempos de recessão no preço de seus produtos. Alguns preferiram fazê-lo de forma temática.

American Girl, uma clássica marca americana de bonecas de propriedade da Mattel, ampliou recentemente sua linha com Gwen, uma adorável personagem que, como milhões de famílias nos EUA, perdeu sua casa e vive em um carro.

As desgraças de Gwen, loira e vestida com um simples vestido branco, começaram quando seu pai abandonou sua família. Sua mãe acabou perdendo o trabalho e a casa, e se viram obrigadas a dormir no automóvel, segundo o livreto que acompanha a boneca - não demorou para que a Mattel fosse alvo de uma enxurrada de críticas.

Gwen custa US$ 95, um preço sem dúvida fora do alcance das famílias americanas que não têm uma casa. EFE pg/bba

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