Por Roberto Samora RIO DE JANEIRO (Reuters) - Com planos ambiciosos de deter 10 por cento do mercado de etanol no Brasil até 2015, a Brenco ainda não descartou a possibilidade de realizar com parceiros o alcoolduto de mais de mil quilômetros entre Alto Taquari, em Mato Grosso, e o porto de Santos.

Mas destacou que, se não conseguir acordos para a execução do alcoolduto, fará sozinha o projeto estimado em 1 bilhão de dólares.

'Temos a porta aberta para projetos que tenham capacidade de trabalhar junto. Não tem negociação adiantada (com nenhum eventual parceiro), mas as nossas portas estão sempre abertas para aqueles que têm interesse de negociar conosco', afirmou a jornalistas o vice-presidente-executivo Rogerio Manso, após seminário na Rio Oil & Gas.

A empresa, cujas duas primeiras usinas começam a operar só no ano que vem, baseará a sua receita em geração de energia de biomassa de cana e também em etanol, principalmente para a exportação, o que explica a necessidade do duto para otimizar as operações.

A Brenco (Brazilian Renewable Energy Company) não produzirá açúcar, diferentemente de outras empresas do setor.

A companhia investirá nos próximos anos 5,5 bilhões de reais para ser capaz de produzir 3,8 bilhões de litros de etanol até 2015 em dez unidades industriais, processando 44 milhões de toneladas de cana.

Em 2010, a empresa espera estar operando em cinco unidades, e em meados de 2011 já pretende transportar 2 bilhões de litros pelo alcoolduto.

'Temos um cronograma, estamos dentro dele', acrescentou Manso, ao comentar que o duto, que também poderá transportar outros combustíveis, sairá mesmo se não houver nenhum parceiro interessado.

O executivo lembrou já foram mantidos contatos com a Petrobras, que na segunda-feira anunciou ter previsão de colocar em funcionamento, em 2010, um duto entre Ribeirão Preto, a principal região produtora do Brasil, e Paulínia, importante centro distribuidor de combustíveis.

No trecho final do duto, de Paulínia até Santos, Manso admitiu que pode haver modificação no traçado do projeto. 'Não vemos outros projetos como concorrentes, vemos como complementares', acrescentou.

OUTRAS PARCERIAS

Ele disse ainda que estão sendo negociadas parcerias com produtores, para captar volume adicional para o duto. Em 2011, 500 milhões de litros produzidos por terceiros deverão ser transportados pelo alcoolduto da Brenco.

Segundo Manso, a escolha de Santos para ser o terminal de exportação foi influenciada, 'porque tem um grande player, uma companhia multinacional, com uma doca operando com capacidade de expansão'.

Ele não quis dizer o nome da multinacional. 'Uma das coisas que ancorou o projeto foi a existência desse terminal com capacidade de expansão.'

A Brenco pretende exportar dois terços de sua produção total de etanol, na expectativa de um aumento na demanda internacional pelo biocombustível.

Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgados no seminário, as exportações brasileiras saltariam de 3,6 bilhões de litros de etanol em 2007/08 para 12,3 bilhões de litros em 2015/16.

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