SÃO PAULO (Reuters) - Dois anos antes do início da produção de polietileno verde, a partir do etanol de cana de açúcar, a Braskem acertou uma parceria para a venda de um quarto da capacidade produtiva. A fabricante de resinas termoplásticas informou nesta quarta-feira ter fechado um acordo para que a Toyota Tsusho, trade company da Toyota Corporation, seja a representante comercial para a venda das resinas de origem vegetal em todo o continente asiático.

A Braskem começou neste ano a investir na implantação de sua primeira unidade produtiva de polímeros "verdes", em Triunfo (RS), e espera iniciar o fornecimento em 2010, com uma capacidade inicial de 200 mil toneladas anuais.

O acordo com a Toyota prevê a comercialização de 50 mil toneladas anuais, de acordo com Manoel Carnaúba, vice-presidente da Braskem, em entrevista à Reuters. Ele acredita que a fábrica alcance volume significativo para atender a Ásia em 2011.

"O mercado para a resina verde tem se mostrado muito promissor e o acordo com a Toyota é um sinal disso", afirmou o executivo.

Segundo ele, o mercado asiático "tem muitas peculiaridades", o que levou a Braskem a escolher um parceiro comercial na região. No Brasil, Europa e Estados Unidos, entretanto, ela deve atuar diretamente na venda do produto.

A companhia acredita que será a primeira no mundo a produzir em escala comercial o polietileno de alta e baixa densidade a partir do etanol e não de petróleo.

A companhia já tem testes com alguns clientes no uso do polímero verde. No Brasil, por exemplo, a Braskem acertou com a Brinquedos Estrela o uso da resina em um dos seus jogos mais populares, o Banco Imobiliário, além do desenvolvimento de outras parcerias com a empresa de brinquedos no futuro.

Também há testes do uso em tanques de combustível e embalagens para alimentos, cosméticos e produtos de higiene e limpeza, segundo Carnaúba.

No Japão, de acordo com o vice-presidente, alguns clientes testam o uso dessa resina em peças para a indústria automobilística e embalagens.

O investimento da Braskem na fábrica de polietileno verde em Triunfo deve ficar entre 400 milhões e 500 milhões de reais, segundo a própria companhia.

(Por Taís Fuoco, Edição de Fabio Murakawa)

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