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Braskem anuncia novo presidente

A Braskem anunciou ontem a saída de José Carlos Grubisich da presidência da empresa. Ele foi substituído por Bernardo Gradin, que estava na Odebrecht, controladora da Braskem.

Agência Estado |

Grubisich, que estava na presidência do grupo desde a criação, em 2002, vai assumir a presidência da ETH Bioenergia, empresa de açúcar e álcool também controlada pelo Grupo Odebrecht.

Gradin, que está na Odebrecht desde 1987 e também participou da criação da Braskem, assume o comando da empresa em um momento delicado para o setor, que enfrenta a alta dos preços de sua principal matéria-prima, a nafta petroquímica. "Tenho o desafio de resolver a equação da matéria-prima, em um período de baixa do setor petroquímico", afirmou Gradin.

A solução dessa equação passa por complicadas negociações entre a Braskem e Petrobras, fornecedora do insumo. Segundo Gradin, a negociação para redefinir o preço do produto é assunto "prioritário" e "crucial" para o projeto de expansão da empresa. Ele afirmou que um acordo pode ser definido até o final deste ano.

O novo presidente afirmou ainda que sua indicação para suceder Grubisich não representará mudanças nas diretrizes de negócios da companhia. Chega ao cargo, segundo ele, com o objetivo de dar andamento ao processo de captação de sinergias com os ativos do Grupo Ipiranga, agora estimadas em US$ 1,2 bilhão - a projeção anterior era de US$ 1,1 bilhão - e também de criar valor para a empresa. A Braskem vem perdendo valor de mercado na Bolsa de Valores nos últimos anos.

"A missão de substituir o Grubisich será dura, mas tentarei fazer com que transição seja bem recebida por vocês", afirmou Gradin em teleconferência com analistas de mercado, após elogiar o relacionamento do ex-presidente da Braskem com o mercado de capitais.

Gradin deverá ser o responsável por levar a Braskem ao Nível 2 de Governança da Bovespa, projeto já anunciado no passado e que permanece nos planos da empresa. "O Bernardo é quem vai avaliar o melhor momento para essa operação", disse Grubisich.

Outra tarefa que marcará os primeiros meses da presidência de Gradin será a implantação do sistema de gestão nos ativos petroquímicos do Grupo Ipiranga, o que permitirá à Braskem tratar de suas operações de forma unificada. A data prevista para o início da implantação do sistema é 1º de outubro, um dia após o término do prazo para que a Petrobras defina se a Petroquímica Triunfo será incorporada à Braskem, ampliando assim sua participação no capital total da petroquímica dos atuais 23% para 25%.

Desafio

Apesar do forte crescimento nos últimos anos, que a colocou como terceira maior produtora de resinas plásticas nas Américas, as ações da Braskem na Bolsa têm se depreciado. "É uma empresa que cresceu muito, mas que continua frágil", diz um especialista do setor. Segundo ele, a margem Ebitda apresentada pela empresa (de 13%) é pequena perto de seu faturamento, de R$ 18 bilhões no ano passado.

O novo presidente, ao assumir ontem o cargo, afirmou que a criação de valor "é obsessão". Porém, segundo ele, isso depende dos níveis de preço do petróleo e das condições econômicas internacionais. "Não só a Braskem, mas todo o setor é afetado por esses fatores", afirmou.

Segundo o vice-presidente do departamento de competitividade e tecnologia da Federação da Indústria de São Paulo (Fiesp) José Ricardo Roriz Coelho, além deste, outro grande desafio do sucessor de Grubisich será começar a olhar para um novo modelo de negócios, que inclua parcerias com as demais indústrias da cadeia produtiva do plástico.

"Não dá para competirmos com a superoferta de resina dos países do Oriente Médio", diz Coelho, também presidente da Associação Brasileira da Indústria de Filmes Flexíveis (Abrafilme). "O modelo petroquímico brasileiro está errado." Segundo ele, uma saída seria estabelecer parcerias com as empresas manufatureiras para agregar valor ao produto.

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