Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Brasília lidera valorização de imóveis nos últimos três anos

Tombamento do Plano Piloto e o grande número de moradores endinheirados fizeram preços dobrar no período

Danilo Fariello, iG Brasília |

O Distrito Federal lidera o ranking de valorização de imóveis de alto padrão feito pelo iG com oito capitais brasileiras. No conjunto de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte, a apreciação média nos lançamentos foi de 66% de 2007 a 2010. Já no DF, a valorização média dos imóveis novos nas três regiões centrais, que são Asa Norte, Asa Sul e Sudoeste, é de 113%. Ou seja, o preço do metro quadrado dobrou nos últimos três anos.

As principais razões desse avanço são duas: a falta de terrenos disponíveis para construção e a boas condições financeiras dos moradores, o que acaba elevando a procura, mesmo com preços já estando em um alto patamar.

Enquanto há demanda, as incorporadoras e imobiliárias chegam a vender imóveis por até R$ 10 mil o metro quadrado, em localidades como a margem do lago Paranoá. Em caso de apart hotéis ou flats, chega-se a R$ 12 mil o metro. São valores equivalentes aos da Vila Nova Conceição, reduto da burguesia paulistana, onde os lançamentos são raros pela falta de terrenos disponíveis. “E por que não valeriam o mesmo?”, questiona Hiram David, presidente do Secovi-DF, o sindicato da habitação.

O Plano Piloto de Brasília é tombado, o que lhe garante a preservação da área verde e também da vista - afinal, não haverá um infinito de construções na região. Também não será permitido derrubar blocos de seis andares para se construir arranha-céus. A cidade tem o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, comparável aos níveis de Suécia e Noruega, e também a maior renda per capita.

“O Plano Piloto é a Manhattan de Brasília, mas os arredores também estão em alta”, diz Marco Antonio Demartini, diretor-executivo da Lopes Royal. Segundo ele, cerca de 360 mil pessoas moram no Plano Piloto, mas mais de 1 milhão trabalham na região todos os dias.

Esses motivos, acompanhados de uma massa crescente de servidores públicos que possui um ótimo acesso a crédito bancário, faz com que ocorra uma verdadeira corrida de preços no DF. Estima-se que cerca de 60% dos compradores neste ano sejam servidores, o que faz a inadimplência da região ser bastante baixa

Para os funcionários públicos, também é mais fácil para os bancos oferecer financiamentos mais longos, o que faz as parcelas mensais se moldarem com mais facilidade aos orçamentos das pessoas, mesmo que os valores finais dos imóveis sejam milionários. “É muita gente com renda de R$ 20 mil ou com mais de R$ 1 milhão no banco”, diz um incorporador regional.

Noroeste, o novo bairro

Fellipe Bryan Sampaio
Cliente visita apartamento decorado em Brasília, onde a escassez de terrenos contribui para valorização imobiliária
As décadas em que o Plano Piloto de Brasília teve poucos lançamentos levaram a um represamento de demanda por imóveis. Agora, essa retomada acarreta uma supervalorização dos imóveis no novo bairro, o Noroeste, o último previsto no planejamento original da cidade, feito por Lúcio Costa.

Os imóveis são vendidos por cerca de R$ 8 mil o metro quadrado no Noroeste, inclusive para quitinetes de menos de 50 metros quadrados. Já foi previsto que se venderia por até R$ 15 mil o metro dos apartamentos maiores, mas isso não se realizou.

Contribui ainda para os altos valores do Noroeste a proposta de ser um bairro sustentável, com tratamento especial de lixo e esgoto, transporte alternativo e energia limpa. No bairro todo, não haverá nenhum chuveiro elétrico. Ali serão instalados 220 prédios residenciais e 140 comerciais, dos quais muitos estão à venda hoje. O bairro, ainda em construção, deve ficar pronto em junho de 2012.

Embora com a alcunha de sustentável, o Noroeste é criticado por alguns urbanistas do Distrito Federal por interferir numa região onde moravam famílias indígenas, por estar muito próximo de áreas de proteção ambiental e por prejudicar o trânsito da cidade.

Com todo um bairro novo ficando pronto praticamente ao mesmo tempo em Brasília, mesmo quem não vê bolha espera que por volta de 2012 os preços dos imóveis possam estar até mais baixos do que os de hoje na planta de imóveis na planta, invertendo uma tendência natural.

Outra motivação para essa mudança explica-se pelo fato de que, quando o apartamento ficar pronto, o comprador tem de bancar uma elevada parcela para obter as chaves ou migrar para o financiamento bancário. Isso pode levar uma parte relevante dos compradores a revender alguns dos imóveis comprados.

Fontes: Imobiliárias, Consultorias e Secovi

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG