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O ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, qualificou ontem de foguetório e simples retórica a decisão do presidente do Equador, Rafael Correa, de expulsar a estatal brasileira Furnas do país. Segundo ele, ações como essa atrapalham a integração regional e os laços de amizade entre os dois países.

O governo equatoriano expulsou Furnas na semana passada com o argumento de que a estatal foi responsável pela fiscalização das obras da usina San Francisco, feitas pela Odebrecht, que foi expulsa do país sob a acusação de irregularidades na construção da hidrelétrica. Lobão afirmou que, na prática, Furnas não existe, já que não tem instalações físicas no Equador.

"O Equador pode tomar a decisão que achar melhor, mas não podemos, de bom grado, aceitar uma ação dessa natureza. Correa expulsou o que não existe. É muito mais uma ação retórica do que algo concreto. É foguetório sem conseqüência para a empresa", disse Lobão.

Furnas negou ontem ter recebido qualquer informação oficial sobre o cancelamento de suas atividades no Equador. O diretor de construção da empresa, Márcio Porto, disse que uma expulsão da companhia não faz sentido se forem consideradas as atividades que ela mantém no país.

"Não temos técnicos, nem bens patrimoniais, nem representações no Equador. O que nós fizemos foi trabalho de fiscalização", afirmou Porto, que rebateu as declarações de que a empresa seria responsável pelo "fracasso" da hidrelétrica de San Francisco, cuja construção foi fiscalizada em parceria com a Integral, uma empresa equatoriana.

Porto disse que Furnas não participou da elaboração do projeto e, portanto, não é responsável por erros na construção. Ele explicou que a empresa manteve, no auge do trabalho, três funcionários na obra. Furnas também participa de outra concorrência para fiscalização de outra hidrelétrica, a de Toachi Pilatón.

Acompanhando Lula em visita à Espanha, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que não tinha nenhuma informação sobre a suposta expulsão de Furnas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.