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Brasileiros aproveitam câmbio favorável para comprar na Argentina

Vinhos, produtos de higiene pessoal e gasolina custam até metade do preço em cidades argentinas na fronteira com o Brasil

Marina Gazzoni, enviada a Bernardo de Irigoyen |

Muitos moradores do oeste da região Sul do país pagam o supermercado com cartão de crédito internacional. Ao atravessar a fronteira com a Argentina, a moeda brasileira vale o dobro e as compras saem pela metade. O real valorizado criou um movimento de consumidores rumo à Argentina, que fortalece a economia das cidades do país e gera uma crise no varejo brasileiro local.

O município de Bernardo de Irigoyen, na província de Misiones, é um dos beneficiados pela alta do real em relação ao peso. Localizado na divisa com duas cidades brasileiras _Barracão (PR) e Dionísio Cerqueira (SC)_, o município tem uma população de cerca de 15 mil habitantes, mas recebe em média 2.000 veículos brasileiros por dia, de acordo com estimativas de Arnaldo Borteze, inspetor-chefe da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, responsável pelo controle da fronteira. “No final de semana, esse número dobra e, nos feriados, mais que triplica”, afirma.

Entre esses consumidores está Bruno Behr Neto, morador de Pato Branco (PR), município localizado a 120 km da Argentina. Ele viaja a Bernardo de Irigoyen todo mês para comprar, principalmente, vinhos, farinha e produtos de higiene e limpeza. “Os vinhos saem por um terço do preço [em relação ao Brasil]. Os outros produtos custam a metade ou até menos”, afirma Behr.

Um desodorante roll on da marca Dove, por exemplo, que custa cerca de R$ 7 no Brasil, sai por 8 pesos na Argentina, ou seja, cerca de R$ 4, segundo apurou o iG. E uma lata de 1,5 litro óleo de girassol custa menos na Argentina (R$ 3,22) do que o de uma lata menor, com 900 ml, do mesmo produto no Brasil _(R$ 4,00 a R$ 4,50).

Preços menores e produtos argentinos nas prateleiras são praticamente as únicas diferenças que os brasileiros encontram nos supermercados de Bernardo de Irigoyen em relação ao varejo brasileiro. Quase todos os atendentes falam português e os pagamentos podem ser feitos em real, além de peso e dólar. A conversão é feita na hora e adota o câmbio um pouco maior do que o oficial _ R$ 0,50 vale 1 peso. Quem paga com cartão de crédito tem a vantagem de usar o câmbio oficial _ R$ 0,45 na cotação de segunda-feira.

Gasolina e pneu

Marina Gazzoni, iG São Paulo
Postos argentinos divulgam preço em real

Os consumidores brasileiros também aproveitam a viagem para abastecer o carro. Em um posto visitado pelo iG, a gasolina custava R$ 1,81, valor inferior ao cobrado nos postos do oeste de Santa Catarina e do Paraná _cerca de R$ 2,50.

Outro produto visado é o pneu, mas a compra é proibida pela Receita Federal. Mesmo assim, muitos estabelecimentos argentinos vendem o produto, exclusivamente ou não. “O pneu não é um produto de bagagem e deve entrar no país por meio de um processo de importação”, afirma o inspetor da Receita. Segundo ele, todos os dias são apreendidos pneus _muitos já colocados nas rodas dos carros.

“A prática comum para tentar driblar a Receita é retirar os pneus velhos na Argentina, colocar novos no carro e passar por uma estrada de lama para tentar camuflar os pneus novos. Se a Receita pegar, tem que tirar o pneu.”

Trânsito “virou” com mudança cambial

Marina Gazzoni, iG São Paulo
Carros atravessam fronteira do Brasil com Argentina, entre Dionísio Cerqueira (SC) e Bernardo de Irigoyen

A cidade nem sempre foi um polo de compras, pelo contrário. No início dos anos 2000, quando o peso valia o dobro do real, eram os argentinos que atravessavam a fronteira para comprar no Brasil. “Nesse momento em que um dólar valia um peso, apenas três negócios sobreviveram em Bernardo de Irigoyen. E hoje, há 364 empresas inscritas. A cidade é pequena, mas o crescimento é notável”, afirma Koki Sosa, dono de um supermercado argentino, um dos mais antigos da cidade.

Junto com os consumidores brasileiros, vieram novos empresários. Um deles foi Hernán Paradela, dono do maior supermercado da cidade, que atrai clientes por ter estacionamento, lotado de carros com placas brasileiras. Ele não informa seu faturamento, mas afirma que 98% de seus clientes são do Brasil. “Eu e meu irmão abrimos o supermercado há quatro anos para aproveitar o movimento de compras”, afirma Paradela, que mudou de Buenos Aires para Bernadro de Irigoyen para aproveitar o movimento comercial da fronteira.

Do lado brasileiro, humor é outro. Em Dionísio Cerqueira, uma das ruas próximas a divisa traz vários estabelecimentos fechados, com placas para venda ou locação. Há oito anos, esta rua somava 17 supermercados, agora, há apenas dois, conta um varejista que não quis se identificar.

Para ele, o varejo brasileiro da fronteira pode voltar a atrair consumidores das duas nacionalidades se o real se desvalorizar ou se a inflação argentina subir tanto que os preços deixem de compensar a compra, mesmo com o câmbio favorável.

 

 

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