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O brasileiro está mais alto e morre menos de doenças de coração. Em compensação, está mais gordo e morre mais de diabetes.

A conclusão está em dados preliminares de um estudo divulgado ontem pelo Ministério da Saúde.

Intitulado Saúde Brasil 2008 constata mudanças no perfil nutricional brasileiro. O País sai de um estado de desnutrição para o sobrepeso: 43,3% das pessoas com mais de 18 anos que vivem nas capitais estão com o peso acima do ideal.

"Há uma redução expressiva na subnutrição, especialmente na população infantil, mas há também uma má qualidade na alimentação, além da falta de atividade física", disse Deborah Malta, uma das responsáveis pela pesquisa. "A obesidade já significa um problema importante na saúde pública."
A pesquisa aponta ainda que as crianças brasileiras estão cada vez mais altas e perto do padrão internacional estipulado pela Organização Mundial de Saúde. E os índices de desnutrição caíram. Em 1996, a desnutrição atingia a 13,4% das crianças com menos de 5 anos. Em 2006, caiu para 6,7%.

A combinação de um programa estruturado e nacional de imunizações, o aleitamento materno, o acompanhamento do peso e a melhora do atendimento às doenças respiratórias explicam o fato de as crianças brasileiras estarem mais altas, avalia a Sociedade Brasileira de Pediatria. "As crianças brasileiras ficam um ano a menos doentes do que anteriormente em razão de todos esses fatores", afirma Romolo Sandrini Neto, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da entidade. "É por isso que defendemos o direito ao aleitamento por seis meses." Atualmente no Brasil a licença maternidade por este período é uma decisão facultativa das empresas.

O estudo mostra ainda que o brasileiro adulto está mais alto: as mulheres ganharam 3,3 centímetros entre 1989 e 2003, enquanto os homens aumentaram 1,9 centímetro no mesmo período. A tendência de crescimento é maior entre os meninos de 10 a 19 anos.

MORTES
Segundo o ministério, os indicadores de mortalidade no Nordeste são os piores, mas não foram divulgados números específicos da região. Um dos motivos seria a falta de ampliação da rede básica de atendimento na região. Na avaliação de Deborah, há ainda o fato de os registros de mortalidade na região serem mais fiéis à realidade do que no passado.

Entre 1990 e 2006, o risco de morte por no País diabetes passou de 16,3 por 100 mil habitantes para 24 por 100 mil.

As mortes por doenças cardiovasculares, porém, sofreram uma queda. O estudo aponta uma diminuição de 20% nas mortes por doenças do coração, entre 1990 e 2006. A Sociedade Brasileira de Cardiologia destacou que a diminuição das mortes por doenças cardiovasculares, aquelas que mais matam no País, deve ser atribuída à melhora dos tratamentos e à queda do tabagismo. Em 1989, 31% da população fumava regularmente. Esse índice caiu para 16,3% em 2008.

"Ao mesmo tempo em que ficamos contentes, há um aumento da obesidade e do diabetes, o que é uma bomba relógio", afirmou Rui Ramos, diretor de promoção da saúde da sociedade. O diabetes e a obesidade contribuem decisivamente para as mortes por problemas cardiovasculares.

Os especialistas consideraram "estranho" o ministério separar dos óbitos por problemas circulatórios das mortes por diabetes. Isso porque a maioria dos diabéticos morre de problemas circulatórios. Questionada pelo Estado, a pasta reconheceu que entre os casos de mortes de diabéticos estão pessoas que tiveram como causa de morte doenças circulatórias associadas ao diabetes.

"Praticamente não temos no Brasil mortes causadas diretamente pelo diabetes. Isso porque o sistema público de saúde distribui medicamentos e insumos contra a doença", diz Antonio Roberto Chacra, professor Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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