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Brasileiras estão entre as 100 empresas mais castigadas no Continente

O ranking das 100 maiores quedas nas bolsas de valores da América Latina e nos Estados Unidos tem 31 empresas negociadas na BM&F/Bovespa. Levantamento feito pela Economática no período entre 31 de dezembro de 2007 e 30 de setembro de 2008 mostra que o mercado acionário brasileiro perdeu apenas para a Bolsa de Nova York, que detém 46 companhias entre os maiores prejuízos.

Agência Estado |

No ano, esse grupo de empresas viu seu valor de mercado encolher US$ 522 bilhões - de US$ 618 bilhões para US$ 96 bilhões.

No Brasil, as empresas do setor imobiliário foram as mais castigadas pelo mau humor dos investidores com a crise internacional. Das 31 companhias incluídas no ranking, oito são construtoras e incorporadoras. O pior desempenho foi verificado nas ações ordinárias da construtora Inpar, que despencaram 93,6%. Em dezembro, a companhia valia US$ 1,032 bilhão, e na terça-feira, apenas US$ 61 milhões. No ranking das 100 maiores perdas, a empresa ficou com o 10º. O mesmo ocorreu com Abyara, cujas ações recuaram 89,8% no período; Even e Rossi, 76%; Trisul, 72%; Eztec, 69,7%; e Helbor, 69,4%.

Uma das explicações para o péssimo desempenho dessas empresas durante a crise é o fato de elas serem estreantes na bolsa de valores. A maioria lançou ações no mercado a partir de 2006 e foi alvo dos estrangeiros em busca de altos rendimentos. Na média, a participação desses investidores nos IPOs (Oferta Pública Inicial) esteve em torno de 70%. No caso da Trisul, por exemplo, 91% das ações foram compradas por estrangeiros. Os papéis da empresa recuaram 72%, o 58º pior desempenho do ranking das 100 maiores perdas.

"Os estrangeiros foram os primeiros a sair da bolsa brasileira com o agravamento da crise internacional. Como essas empresas tinham muita participação desses investidores, a queda é potencializada", diz Jayme Alves, analista especializado no setor imobiliário da Corretora Spinelli.

Ele explica, no entanto, que as ações das construtoras e incorporadoras foram lançadas com a relação preço/lucro (preço da ação sobre lucro por ação) muito elevado. Enquanto esse indicador era de 14 vezes nas demais empresas da bolsa, no setor imobiliário era de 40 vezes. "Era um momento de euforia. O sentimento era de que a economia mundial continuaria a crescer", diz o analista.

Mas a crise se agravou e a liquidez foi reduzida drasticamente. Quase todo o dinheiro conseguido com os IPOs foi usado para comprar terrenos, diz Alves. As empresas acreditavam que mais tarde, quando chegasse a fase da construção, conseguiriam se financiar no setor bancário nacional ou por meio de novas captações.

Com isso, boa parte das empresas começou a revisar suas projeções para baixo, o que atraiu a atenção dos investidores, explica a equipe de análise da Planner Corretora. "Entendemos que não se pode traçar todas as suas expectativas baseado apenas num cenário positivo. É preciso ter dois ou mais cenários."

O economista da corretora Souza Barros Clodoir Vieira acrescenta que as empresas do setor têm mostrado muita dificuldade para conseguir cumprir seus prazos nos empreendimentos por causa de problemas no fluxo de caixa, o que já provocou baixa de algumas ações antes mesmo da crise. Além disso, o aumento da taxa de juros, efeito tanto da política monetária interna como da crise internacional, deverá impactar o caixa das companhias.

O campeão de perdas do ranking das 100 maiores foi o Lehman Brothers, cujas ações caíram 99,8%. O segundo lugar ficou com o Washington Mutual, com queda de 98,8%. Entre as brasileiras, o pior desempenho foi verificado nas ações ordinárias da Agrenco, que caíram 97,3%. A empresa teve a quarta maior queda do ranking. A Laep, do setor de alimentação, ficou com a 5º posição. Seus papéis recuaram 96,7%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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