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Brasil troca apoio por etanol

O Brasil espera obter melhores condições para exportar etanol como pagamento por sua colaboração na tentativa de fechar a Rodada Doha. Nos últimos dias, parte do cálculo brasileiro para aceitar o pacote da OMC incluía uma cota para o País exportar etanol para o mercado europeu e uma redução de tarifas no mercado americano.

Agência Estado |

Ontem, americanos e brasileiros deram o pontapé nas negociações para a redução das tarifas pagas pelo etanol, que a Casa Branca sempre resistiu. "Estamos negociando", disse o embaixador Roberto Azevedo, negociador-chefe do Brasil. A Casa Branca mantém a tarifa de 54 centavos de dólar por galão de etanol, o que impede as exportações brasileiras.

O chanceler Celso Amorim não disfarçava que o entendimento na rodada estaria condicionado à inclusão do etanol no pacote. O Brasil foi o primeiro país a acenar positivamente ao plano da OMC de liberalização que acabou sendo aceito por americanos e europeus.

Mas, em troca, membros do governo não escondem que precisavam ganhar benefícios por adotar uma postura construtiva na rodada, se distanciado das posições extremistas de Índia, Argentina, África do Sul e outros emergentes. O próprio governo americano e a Europa admitiam o esforço feito pelo Brasil e não negavam que poderia haver um acordo.

Mas o tema era tão sensível que o governo americano se recusava a reconhecer oficialmente que havia uma negociação sobre o assunto. O temor da Casa Branca era de sofrer pressões do lobby do etanol nos EUA.

Com a UE, Amorim anunciou que a negociação caminha no "bom sentido". Conforme antecipou o Estado, Bruxelas aceitou fixar uma cota para o etanol brasileiro, fato confirmado ontem pelo gabinete da comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel.

Bruxelas ofereceu 1,4 milhão de toneladas em dez anos, mas o Brasil achou pouco. Dias depois, a UE apresentou novos números que começam a deixar o setor privado mais satisfeito. Pela nova proposta, a cota estaria indexada ao consumo futuro europeu, o que permitiria um incremento nas exportações nos próximos anos.

Mas o eventual fracasso nas negociações impediria um acordo também no etanol. A decisão do Brasil de acatar o pacote da OMC no setor de produtos industriais e de agricultura surpreendeu muitos governos. Mas foi considerada pela entidade e pelos próprios países ricos como um incentivo "vital" para que o processo fosse mantido vivo.

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