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Brasil tem pouco a esperar agora de Obama

Barack Obama assumiu a Presidência dos Estados Unidos prometendo pouco e pedindo muito ao povo. Foi um espetáculo de maravilhosa demonstração de democracia, que deveria inspirar outros países e até causar inveja.

Agência Estado |

Os Estados Unidos abandonam o preconceito e elegem um presidente negro! E afundando na recessão!
Em que outro país, com essa tradição de rancor racial, se poderia ver um espetáculo como esse? Um país onde só 12,8% são negros? É verdade que é um país construído e formado por imigrantes de todas as raças - africanos, asiáticos, hispânicos. Até o atentado às torres gêmeas, o país recebia "legalmente" cerca de 1 milhão de imigrantes por ano e ainda hoje, mesmo com a crise e os atentados, recebe mais de 700 mil.

Certo. Mas, entre ser um país saudavelmente multirracial - que anualmente dá cidadania coletiva a milhares de imigrantes, em estádios - e eleger um presidente negro, há uma grande diferença. É simplesmente fantástico.

O QUE OBAMA PODE FAZER?

Falta agora saber o que poderá fazer pelo seu país e pelo mundo esse jovem e destemido afro-americano, como foi oficialmente apresentado, de forma simpática, na solenidade de posse, aos 2 milhões de americanos. Eram brancos, negros, asiáticos, hispânicos e até brasileiros, que o esperavam desde as primeiras horas do dia, num frio de 3 graus negativos.

Obama tem o grande mérito de não deixar dúvida quanto ao que vai fazer. Um dos seus primeiros atos após a eleição foi escolher e anunciar imediatamente uma equipe econômica formada, acima de tudo, por homens e mulheres com grande experiência. Não há nenhum novato em economia e finanças, nenhum que não tenha enfrentado crises anteriores. Seu objetivo é inspirar confiança no governo. E parece que está conseguindo.

Mas temos que ser realistas, deixar de lado a euforia daquela festa magnífica - repito, o maior exemplo de democracia que o mundo já viu! - e admitir que Obama pode fazer pouco neste ano. Devido ao atraso das medidas de recuperação econômica que ele pediu a Bush, logo após de eleito, a crise se agravou muito. Só em dezembro, mais de 600 mil trabalhadores foram demitidos.

No entanto, esse pouco pode ser muito, se, pelo menos, ele e sua equipe conseguirem, se não chegar ao crescimento desejado, pelo menos deter o aprofundamento da recessão, afastar definitivamente a ameaça da depressão, sanear esse mercado financeiro e bancário inacreditavelmente fracassado e restabelecer a confiança dos americanos e do mundo na recuperação da economia do país.

Obama reconheceu a responsabilidade do país pela crise ao afirmar, no discurso de posse, que os Estados Unidos têm um compromisso também com o mundo. Sem ele, não há como evitar ou atenuar a recessão. E isso porque eles representa, sozinho, 25% do PIB e 12% das importações mundiais. Eram US$ 2 trilhões e agora, mesmo com a recessão, se mantém em US$ 1,8 trilhão.Ele arca com um déficit comercial de quase US$ 700 bilhões. É o que absorve do excesso de produção mundial.

BRASIL DEVE ESPERAR MENOS

Não podemos esperar muito do novo governo americano neste ano. Pode-se dizer que são dois os vasos de comunicação entre eles e nós. O mais grave e urgente é o financeiro. O outro,menos urgente, mas igualmente prioritário e importante, é o econômico, que se reflete no fluxo comercial entre os dois países. Trataremos do primeiro nesta coluna e do segundo em outra, tal a vastidão do tema.

Não fomos afetados diretamente pelo vendaval financeiro. Nosso sistema bancário é saudável e sólido porque já havíamos feito um Proer, no governo FHC, e, por precaução, o atual governo fez agora um outro, ainda mais vigoroso. Foi humilde e esta na linha certa. Eles tremem, nós estamos protegidos em tempo pelo governo e tranquilos.

A contaminação da crise financeira é indireta, o que não deixa de ser séria; ela ocorre pela escassez de crédito externo, que afeta principalmente a linha de financiamento dos bancos e das exportações.

O governo tem estado atento até agora. Deu ampla liquidez aos bancos e destinou, desde a eclosão da crise, em outubro do ano passado, US$ 12,6 bilhões das reservas cambiais só para financiar as exportações. Elas são, no momento, um dos poucos meios de gerar as divisas que escasseiam com a saída dos investidores estrangeiros para cobrir perdas, não aqui, onde tem tido grandes lucros, mas no exterior.

Mas pouco se pode esperar neste ano. Há um longo caminho que Obama e os governos europeus e japonês tem que trilhar para apaziguar as finanças internacionais abaladas por tanta imprevidência.

UMA NOVA CRISE

O novo presidente americano assume o poder exatamente em meio a nova crise bancária, a segunda, mais séria; ela já está sendo considerada a pior desde novembro, quando tudo desabou após a quebra do Lehman. É uma nova crise financeira, na qual bancos do porte do Citi e do Bank of América registram perdas e pedem ao governo socorro sem fim.

Obama havia afirmado que os US$ 825 bilhões do socorro pedido ao Congresso seriam aplicados na recuperação econômica. Agora, porém, sua equipe parece reconhecer que serão destinados mais que os US$ 350 bilhões restantes do pacote anterior, de Bush. Assim, pode-se prever um segundo plano de assistência aos bancos.

Para o Brasil seria importante que o sistema financeiro americano fosse saneado logo, mas é ilusório esperar isso nos próximos meses. Mas isso é tema para a próxima coluna.

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