O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brasil "tem a obrigação" de construir linhas de transmissão que levem a energia elétrica produzida pelo Brasil até a capital do Paraguai, Assunção

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brasil "tem a obrigação" de construir linhas de transmissão que levem a energia elétrica produzida pelo Brasil até a capital do Paraguai, Assunção. De acordo com ele, a capital paraguaia convive com apagões praticamente diários. "Essa seria a única forma de convencer o povo paraguaio de que o acordo entre Brasil e Paraguai em relação a Itaipu é justo", disse ele durante seminário empresarial Brasil - El Salvador, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Lula disse ter conversado com um empresário brasileiro que garantiu que faria investimentos no Paraguai se o fornecimento de energia elétrica no país fosse estável. "Esse é o papel do Brasil", disse Lula, para quem a liderança brasileira entre os países da América Latina e da África exige esse tipo de ajuda. "O Brasil precisa entender que quem é grande tem mais responsabilidades", disse, referindo-se também a El Salvador. De acordo com ele, o país da América Central já produz etanol, mas com milho. Segundo ele, a substituição por cana-de-açúcar seria mais viável, além de mais limpa e ecologicamente correta. "Quem gosta de milho é frango", disse Lula, sob risos da plateia. Em clima de fim de mandato, Lula se dirigiu aos empresários e disse que "todos ganharam muito dinheiro" em seu governo, independentemente do porte da empresa. "Além disso, nos meus oito anos de governo 90% das categorias profissionais receberam aumento real acima da inflação. Temos a criação de mais de 14 milhões de empregos formais em sete anos e meio, algo impensável até poucos anos." El Salvador. O presidente disse esperar que a experiência brasileira seja replicada em El Salvador, onde o presidente Maurício Funes, eleito em março de 2009, ainda enfrenta resistências do empresariado local. No evento de hoje, Lula contou ter dito ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que considerava Funes "um menino de boa qualidade". "A gente vê que a pessoa é boa pelos olhos." Funes, presente ao evento, lembrou ter recebido dois conselhos de Lula desde que foi eleito. O primeiro é "ser paciente e contar muitas vezes até dez, algumas até 100, para atuar com inteligência e não tomar decisões impensadas". A outra, citou Funes, também foi uma recomendação para que tenha paciência, já que as mudanças sempre serão criticadas, pois serão consideradas muito rápidas para alguns setores e muito lentas, por outros. Funes citou também o presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, que fez vários elogios a Lula em seu discurso. Steinbruch disse que a relação entre Lula e os empresários teve um início distanciado e recheado de dúvidas, mas evoluiu muito ao longo dos anos. "Não estou falando de questões de partidos. O presidente Lula liderou um movimento amplo e irrestrito no sentido de que todos nós temos que dar um pouco mais de nós mesmos", disse Steinbruch. "Lula começou pela esquerda e saiu pelo centro", disse o empresário, ao que Lula teria respondido, segundo Funes, que na verdade foi o contrário. "Os empresários começaram no centro e saíram pela esquerda." Delfim. Durante seu discurso, Lula disse que tanto ele como os empresários tinham muito preconceito uns contra os outros. Um dos exemplos de que isso pode mudar é a relação com Delfim Netto, ex-ministro durante o governo militar. "Passei tanto tempo fazendo críticas a Delfim. As pessoas vão ficando importantes e tudo que acontece de errado a gente encontra alguém para jogar a culpa. E teve um tempo em que tudo era o Delfim Netto", disse Lula, citando o período em que era dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, quando Delfim era ministro. "Eu hoje reconheço e admiro o Delfim Netto como uma das pessoas mais extraordinárias e inteligentes que esse País já teve", afirmou. "Nos momentos mais difíceis do meu governo, ele poderia ter escrito artigos me esculhambando, dizendo tá provado que operário não saber governar mesmo, tem de voltar a comer marmita no bandejão, que é o que sabe fazer. Ele fez os mais extraordinários artigos defendendo a mim e defendendo a política econômica do governo, mesmo quando alguns companheiros do PT criticavam."

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