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Brasil tem chance mínima de rating maior, diz Moody s

SÃO PAULO (Reuters) - A crise financeira global e a perspectiva de menor crescimento econômico por ela provocada praticamente eliminam as chances de o Brasil obter uma elevação do rating soberano no médio prazo, segundo a agência Moodys. Há uma probabilidade mínima de alta, disse a jornalistas Mauro Leos, vice-presidente de rating soberano da instituição, a única das três grandes que não concedeu a classificação de grau de investimento ao país, diferente do que fizeram Fitch e Standard & Poors no primeiro semestre deste ano.

Reuters |

Segundo ele, o Brasil, assim como os demais países da América Latina, tem um cenário relativamente melhor do que em outras regiões do mundo. No entanto, uma piora das condições de liquidez por mais alguns meses, com a extensão da crise mundial, pode até piorar a perspectiva para a nota do país.

Atualmente, a nota soberana do Brasil pela Moody's é "Ba1," com perspectiva estável, um degrau abaixo da faixa de grau de investimento.

A agência projeta um crescimento de 2,5 por cento, "talvez menos", do PIB brasileiro em 2009, ano que toda a resistência de toda América Latina a um período de crise creditícia global mais longo será efetivamente testada.

"Nos últimos cinco anos, os países da região cresceram numa média de 5 por cento ao ano, acima da média histórica de 3 por cento. Nos próximos dois anos, o crescimento ficará abaixo da média", prevê.

De acordo com Leos, a agência manteve-se confortável com a atual nota devido à combinação de credibilidade da política macroeconômica, baixo endividamento externo, elevado nível de reservas internacionais e o sistema bancário forte.

Além disso, a Moody's considera que o governo tem razoáveis condições de liquidez. Segundo Leos, num encontro realizado este mês, em Washington, representantes do Tesouro Nacional informaram que o órgão dispõe de caixa para saldar metade das compromissos vincendos até junho de 2009, seja com juros ou amortização de dívida.

Ainda assim, uma extensão das condições gerais de liquidez do mercado, com eventual piora no perfil da dívida --redução dos prazos médios de vencimento, aumento da fatia dos papéis pós-fixados --, uma deterioração dos índices de endividamento e a ocorrência de riscos sistêmicos, poderiam fazer o país sofrer uma redução da nota.

BANCOS E EMPRESAS PODEM SOFRER PRIMEIRO

No ambiente corporativo doméstico, a agência vê diferentes graus de vulnerabilidade. Dos cerca de 953 bilhões de dólares em dívidas de companhias brasileiras sob avaliação, cerca de 83 por cento desse montante está classificado com risco de default baixo ou médio.

"No entanto, cerca de 65 por cento dos emissores de dívida do Brasil podem ter que reduzir investimentos, caso as condições de liquidez não melhorem nos próximos 12 meses", disse, durante evento, o vice-presidente de rating corporativo da agência, Alexander Carpenter.

E esse horizonte mais adverso pode se materializar, caso se confirme a expectativa da agência de que a janela para captação de recursos via mercado de capitais seguirá fechada por até 18 meses.

No setor bancário, a Moody's enxerga uma perspectiva negativa para o sistema como um todo, devido à perspectiva de queda à metade do ritmo de crescimento das operações de crédito, algumas instituições menores chegando a reduzir suas operações.

Porém, mesmo submetidos a exercícios de estresse, com simulação de forte crescimento da inadimplência e congelamento das linhas de financiamento externas, os grandes bancos nacionais --Bradesco, Itaú e Unibanco-- manteriam boas condições de capital.

"Esses bancos têm muita capacidade de absorver choques", disse Maria Celina Vansetti-Hutchins, vice-presidente da área de bancos da Moody's.

(Reportagem de Aluísio Alves)

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