BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil suspendeu por mais 60 dias a retaliação comercial contra os Estados Unidos em uma tentativa de resolver uma longa disputa sobre os subsídios ao algodão norte-americano, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, nesta terça-feira.

O movimento vem depois de o governo dos EUA atender a última das três condições reivindicadas pelo Brasil.

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil suspendeu por mais 60 dias a retaliação comercial contra os Estados Unidos em uma tentativa de resolver uma longa disputa sobre os subsídios ao algodão norte-americano, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, nesta terça-feira.

O movimento vem depois de o governo dos EUA atender a última das três condições reivindicadas pelo Brasil.

Washington dará ao país 147,3 milhões de dólares por ano, que serão usados para a criação de um fundo de "assistência técnica" para ajudar produtores.

Previamente, os EUA tinham concordado em fazer algumas adaptações no curto prazo no seu programa de garantias de crédito à exportação, além de reduzir barreiras à carne suína e bovina brasileira.

O Brasil estava preparado para impor tarifas e quebrar direitos de propriedade intelectual em um total de 829 milhões de dólares. A retaliação foi aprovada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), que condenou os subsídios norte-americanos ao algodão.

No início do mês, o Brasil havia suspendido as medidas por duas semanas, com o objetivo de tentar um acordo com os EUA.

Nos próximos dois meses, o Brasil e os EUA vão trabalhar nos detalhes de um acordo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou.

"Graças a Deus concluímos o acordo, e o algodão vai perder o subsídio que tinha, e os pobres da África, países como Benin que produzem 400 mil toneladas de algodão vão poder viver mais tranquilamente mandando o algodão para o mercado internacional", afirmou o presidente em discurso durante evento em Brasília.

Diplomatas, especialistas em comércio e líderes comerciais estão acompanhando o caso de perto, um dos poucos em que a OMC permitiu que a parte afetada puna um setor não envolvido na disputa. O Brasil seria o primeiro a aplicar a chamada retaliação cruzada dentro das regras da organização.

(Reportagem de Raymond Colitt)

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